Economia & Negócios

Greve nos Correios suspende Sedex

Por Tisa Moraes | Com Luiz Beltramin
| Tempo de leitura: 4 min

As postagens de urgência dos Correios, como o Sedex 10, Sedex Hoje e Disk-Coleta, serviço que recolhe nas empresas e residências encomendas nacionais e internacionais para Sedex, foram suspensas ontem por conta da greve dos funcionários da empresa. Segundo informações da assessoria da estatal, os serviços não funcionarão até o fim da paralisação.

Embora as agências dos Correios continuem com atendimento mantido, as correspondências comuns, que não tiveram a entrega suspensa, deverão chegar com atraso a seus destinatários. São postagens que incluem boletos bancários e cobranças de empresas e, portanto, é preciso ficar atento para não pagar contas em atraso e ter de arcar com multas. A recomendação é que os consumidores entrem em contato com as empresas para solicitar outra forma de cobrança.

Ainda na noite de ontem, os trabalhadores dos Correios se reuniram em assembléias em todo o País, inclusive em Bauru, para votar a proposta apresentada pela empresa à diretoria da Federação Nacional dos Trabalhadores dos Correios (Fentect), em Brasília. Porém, até as 20h30 a proposta de reajuste não havia chegado e os funcionários de Bauru, assim como de todo País, deixaram para avaliá-la hoje, segundo o vice-presidente do sindicato da categoria na cidade, Luiz Alberto Bataiola. “Esperamos, mas a proposta que foi feita à federação, não chegava. Então decidimos deixar para amanhã (hoje)”, comenta.

De acordo com Bataiola, 80% dos funcionários das áreas de distribuição, tratamento e transporte paralisaram as atividades na cidade. Já a assessoria dos Correios informa que a adesão não ultrapassa os 8% em todo o Brasil – cerca de 8.700 dos 109 mil empregados da companhia.

A proposta inicial dos Correios, que foi rejeitada pelos trabalhadores, previa a reposição da inflação acumulada nos últimos 12 meses (4,5%) e aumento nos valores dos benefícios, como vale-alimentação, vale-cesta e auxílio-creche, além da manutenção das principais vantagens concedidas pela empresa no acordo coletivo anterior.

Os trabalhadores reivindicam, entre outros itens, reposição salarial de 41,03% referente às perdas ocorridas nos últimos 15 anos, aumento linear de R$ 300,00 no piso salarial da categoria (que é de R$ 640,00), reposição da inflação e contratação de mais servidores via concurso, além da manutenção dos benefícios já conquistados.

Segundo estudo da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT), se as reivindicações dos grevistas fossem atendidas, o custo para a empresa seria de cerca de R$ 54 bilhões por ano, valor quase cinco vezes maior que a receita anual da estatal.

Ainda de acordo com a empresa, os ganhos dos funcionários foram superiores aos reajustes do salário mínimo e do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) entre 2002 e 2008. Cálculos da estatal mostram que, enquanto o IPCA acumulado do período foi de 52,36%, os salários dos empregados dos Correios aumentaram 110,95%.

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Servidores do Judiciário buscam alternativa à paralisação

A paralisação das atividades é o último recurso. Esse é o discurso de Vladimir José Justo, presidente da Associação dos Funcionários do Poder Judiciário da Comarca de Bauru (AFPJB), na iminência de um movimento da categoria, que pleiteia reposição salarial de 14,69%, reajuste em benefícios, pagamentos de férias em atraso, entre outras reivindicações.

Para o representante da categoria em Bauru - que esteve em parte reunida ontem à tarde, na sede da AFPJB, para discutir adesão ao ato público de esfera estadual, promovido pela Associação dos Oficiais de Justiça do Estado de São Paulo (Ajoesp), marcado para o dia 2 de outubro, na Capital – uma possível greve, no momento, não seria a melhor forma de reivindicação de direitos.

“O caminho (para buscar melhorias) é o legal, com cada funcionário exercendo apenas as funções para as quais foi contratado, sem comprometer o atendimento à população”, opina. “Quem deve sofrer menos é a população”, acentua o presidente da associação de classe.

Além disso, uma greve, acredita Justo, poderia acarretar “efeitos colaterais” indigestos à categoria. Segundo ele, na última paralisação dos servidores do Judiciário paulista, em 2004, o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJ-SP) pagou os encargos exigidos. Entretanto, recorda, os descontos em função aos dias sem trabalho foram proporcionais aos pagamentos. “Recebi um holerite gigantesco, com um desconto também gigantesco”, ilustra.

Ontem, os servidores bauruenses que participaram da reunião ouviram apelos de representantes da classe de outros municípios, inclusive da Capital, para a participação no ato marcado para as praças da Sé e João Mendes, em frente ao prédio do Tribunal de Justiça de São Paulo.

Bauru, de acordo com o presidente da associação local, também poderá realizar uma assembléia para discutir diretamente a possibilidade de greve. A reunião, entretanto, ainda não tem data para ocorrer.

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