Nova York - O senador democrata Max Baucus apresentou ontem o primeiro esboço de sua proposta de reforma do sistema de saúde americano, vista pela Casa Branca como a com maiores chances de prosperar. A mudança deve custar US$ 856 bilhões em dez anos.
O valor do projeto surpreendeu. Estimativas anteriores apontavam que uma mudança na estrutura do setor que representa cerca de um sexto da economia americana custaria ao menos US$ 1 trilhão ao longo de uma década. O senador afirma que não haverá aumento do deficit e que os recursos viriam de ganhos de eficiência, como no programa Medicare (para idosos) e de novos impostos.
O presidente dos EUA, Barack Obama, já havia encampado o projeto de Baucus, líder da Comissão de Finanças do Senado, em discurso ao Congresso na semana passada. Ela representava a oportunidade de uma proposta bipartidária: foi discutida entre democratas e republicanos nos últimos três meses, mas nenhum dos três senadores da oposição que participaram do debate manifestou apoio hoje.
Trata-se de um projeto que faz concessões a demandas republicanas, embora não conte com o seu apoio. A chamada “opção pública”, um plano administrado pelo governo para concorrer com as seguradoras privadas, ficou de fora. A idéia era defendida por Obama e atacada pelas seguradoras.
Além disso, o plano explicita que os imigrantes ilegais não terão direito à cobertura dentro do novo mercado de planos de saúde e proíbe o financiamento de aborto com recursos do governo federal.
A aprovação da reforma é essencial para Obama, que fez dela o principal item de sua agenda doméstica no primeiro ano de governo. Assunto polêmico, a reforma da saúde divide os americanos, afetou a popularidade de Obama e desencadeou uma onda de protestos, que culminou com uma manifestação que reuniu milhares de pessoas contra o presidente no último sábado em Washington.
Em linhas gerais, o programa expande o Medicaid (para baixa renda) e oferece subsídios para que famílias de renda mais baixa possam obter cobertura. Prevê que a partir de 2013 os americanos sem plano estarão sujeitos a multas. As seguradoras serão proibidas de recusar clientes com doenças preexistentes e só poderão aumentar o valor do plano com base em fatores como idade e tabagismo.
Racismo
O porta-voz do presidente dos EUA, Barack Obama, discordou publicamente ontem do ex-presidente Jimmy Carter por ter declarado que Obama é vítima de críticas racistas da oposição conservadora.
“O presidente não acha que isso se baseie na cor da sua pele”, disse Robert Gibbs.
Carter injetou um componente racial no debate sobre a reforma da saúde pública, depois de o deputado republicano Joe Wilson ter interrompido um discurso de Obama no Congresso, na semana passada, para chamá-lo de mentiroso, e de milhares de conservadores participarem de passeatas contra o presidente em Washington. “Acho que uma esmagadora parcela da animosidade intensamente demonstrada contra o presidente Barack Obama se baseia no fato de que ele é um homem negro”, disse Carter ao NBC News.