Passada a fase mais aguda da crise internacional, começam os questionamentos sobre os indicadores de desempenho da economia. De um lado prioriza-se a retomada do crescimento econômico, de outro lado inicia-se a discussão em torno de qual patamar de inflação iremos conviver, posto que recuperar a economia pode indicar realinhamento de preços. Neste mesmo contexto tem-se a projeção da taxa de juros básica, do nível de arrecadação do governo, e para o comércio exterior, a taxa de câmbio. Vamos nos concentrar na questão cambial. Quando do ápice da crise, a moeda norte-americana, o dólar, se valorizou no Brasil, apesar de a crise possuir seu epicentro nos EUA. Foi o sentido de proteção e ao mesmo tempo a busca por lucros para minimizar prejuízos lá fora.
Sem forte entrada de dólares, com a demanda pela moeda estrangeira aquecida, a cotação se distanciou dos R$ 2,00. Aos poucos, o fluxo financeiro internacional se mostrou positivo, em função da retomada gradativa da confiança dos agentes econômicos e a equação foi invertida. Os juros brasileiros continuaram elevados e, considerando que há uma leitura positiva sobre o desempenho econômico, seria natural que o capital estrangeiro apostasse fortemente no Brasil.
A discussão presente é: afinal, qual o preço ideal do dólar? Resposta de difícil precisão. A ata da última reunião do Copom indicou que os juros poderão voltar a crescer, caso haja pressão sobre os preços. Se isso ocorrer, o indicativo é de mais entrada de capital estrangeiro. Por outro lado, somos sabedores que o mundo todo está mais competitivo. As empresas brasileiras estão fazendo a lição de casa, tentando compensar a defasagem cambial com redução de custos. O próprio governo sabe que dólar baixo é sinônimo de menor exportação, incremento de importação e saldo negativo na balança de transações correntes. A intervenção neste mercado por parte da autoridade monetária será inevitável.
Tudo aponta para que, neste ano, o dólar flutue no patamar atual. Mas há sérias dúvidas de como se comportará em 2010. Ano eleitoral, possibilidade de aumento de juros em função de aumento de preços, discussão sobre gastos públicos e de modelo de desenvolvimento, novas propostas dos candidatos à sucessão de Lula, enfim, um cem número de variáveis. Quem efetivamente opera o setor deve ter os pés no chão. Não há como apontar a direção exata de quanto será o patamar de equilíbrio da taxa de câmbio. O indicativo é continuar apostando em redução de custos, produtividade e evitar exposição exagerada em moeda estrangeira.
O autor, Reinaldo Cafeo, é economista e articulista do JC