Polícia

Adolescente põe fogo na própria casa

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

Uma adolescente de 15 anos ateou fogo, ontem pela manhã, na casa onde morava com a mãe e o padrasto, na Pousada da Esperança, em Bauru. As chamas consumiram todo o imóvel de seis cômodos. Por pouco o prejuízo não se alastrou para o imóvel vizinho. Ninguém se feriu.

A menina contou ter colocado fogo na cama do casal e numa toalha da mesa, depois de ter jogado perfume sobre os objetos. “Se espalhou muito rápido, mas o Corpo de Bombeiros também chegou rápido”, informou o coordenador da Defesa Civil, Álvaro de Brito. Três viaturas e cerca de oito homens foram deslocados até o endereço. Após uma hora e meia de trabalho, deixaram o que restou do imóvel em segurança.

Apenas alguns poucos móveis foram salvos por uma vizinha idosa. No momento do incêndio, a mãe e o padrasto da adolescente não estavam em casa. Segundo a moradora das imediações, antes de tocar fogo no imóvel, a menina retirou suas coisas. Depois, conferiu o que fez, quando as labaredas ainda eram controladas pelos bombeiros. Para o registro da ocorrência, ela foi encaminhada ao plantão da Polícia Civil junto com a mãe.

Consta no histórico do boletim que a autora havia se desentendido com a mãe na noite anterior. A versão foi confirmada por ambas, assim como pela vizinhança. Uma moradora próxima, inclusive, acionou a Polícia Militar anteontem à noite porque a garota jogava pedras contra a própria casa. Algumas seguiram em outras direções e atingiam residências ao lado. Em outra ocasião, ela também quebrou utensílios do imóvel onde morava.

Preocupada com o patrimônio dos amigos, também anteontem, uma moradora do bairro recolheu da casa deles uma televisão, um aparelho de som e um botijão de gás. “Se não tivesse feito isso, o incêndio seria maior e o prejuízo, também”, explica. Ela se dispôs a recebê-los em casa, assim como outra vizinha. Colchonetes e cobertores seriam fornecidos a elas, informou o coordenador da Defesa Civil. Brito também conduziria a família ao Centro de Referência de Assistência Social (Cras) mais próximo.

Além de prestar assistência social, o órgão ainda ajudaria na confecção da segunda via de documentos. Um outro órgão municipal já foi procurado por eles. Trata-se do Centro de Atenção Psicossocial (Caps). A adolescente faz acompanhamento no local, segundo a mãe relatou na delegacia. Mas de acordo com ela, os profissionais ainda não teriam chegado a um diagnóstico sobre os problemas que afligem a menina. Em virtude do tratamento, ela toma remédios para ficar mais calma.

De acordo com a própria mãe, a adolescente chegou a ser expulsa da escola por ter agredido uma funcionária e a diretora. Durante a entrevista, a garota admitiu à reportagem a intenção de bater na irmã, que mora em outro endereço, caso fosse repreendida em virtude do incêndio. Sem entender a agressividade da filha, a mãe conta ter apanhado dela por quatro vezes, sendo ciúmes materno a causa do problema.

O nome e o endereço dos envolvidos não foram publicados para evitar constrangimento às partes e em respeito ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

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