Internacional

Obama suspende escudo antimísseis

Folhapress
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Washington - O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciou ontem a decisão de suspender o escudo antimísseis que seu antecessor, George W. Bush, queria construir na Europa. O cancelamento do projeto, que será substituído por outro com “um novo enfoque”, pode abrir caminho para a melhora das relações com a Rússia, que havia se posicionado energicamente contra o escudo, mas pode ter razões também econômicas, segundo especialistas, e despertou a crítica da oposição republicana.

“Nosso novo projeto de defesa antimísseis na Europa disponibilizará defesas mais fortes, mais inteligentes e mais rápidas às forças americanas e a seus aliados” da Otan (aliança militar ocidental), declarou o presidente americano.

A decisão, explicou Obama, foi tomada com base na recomendação “unânime” das autoridades militares dos EUA. O sistema proposto agora terá seus interceptores em terra e no mar. Em uma primeira fase, baterias antiaéreas serão instaladas em navios Aegis.

“O principal motivo é de tipo técnico-orçamentário e não o desejo de agradar aos russos”, considera Joseph Henrotin, do Centro de Análises e de Previsão de Riscos Internacionais (Capri) de Paris. Deve-se, sobretudo, “às dúvidas recorrentes de alguns setores militares norte-americanos relativas à eficácia real desses mísseis e ao seu custo neste período de crise”, diz o especialista.

No governo Bush (2001-2009), Washington, para justificar a mobilização no Leste Europeu do “terceiro pilar” de seu escudo antimísseis, assegurava que o tempo urgia ao considerar que Teerã poderia se dotar desse tipo de arma, no mais tardar, em 2015.

Segundo explicações dadas posteriormente pelo secretário de Defesa, Robert Gates, o cancelamento do projeto foi determinado depois que o Pentágono concluiu que as premissas acerca da capacidade balística do Irã mudaram. Os serviços secretos americanos constataram que o verdadeiro perigo vinha dos mísseis de curto e médio alcance. Estes, destacou Gates, “estão se desenvolvendo mais rápido que o previsto”.

Oposição em casa

Por outro lado, o anúncio foi mal recebido pela oposição republicana dos Estados Unidos, que acusa Obama de enfraquecer a defesa do país.

O senador republicano John McCain, que disputou com Obama as eleições do ano passado, disse que a medida pode “minar a liderança americana no Leste europeu”.

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Russos comemoram

Moscou - O presidente russo, Dmitri Medvedev, celebrou ontem a decisão “responsável” de Obama, de renunciar ao projeto de construção de um escudo antimísseis na Europa e afirmou que as condições são boas para a cooperação sobre o risco de um ataque de mísseis.

Segundo o acordo fechado em 2008 entre Varsóvia e Washington, dez interceptores de mísseis balísticos de longo alcance seriam instalados até 2013 na Polônia e um potente radar seria instalado na República Tcheca.

Recentemente, Medvedev, recebeu Obama no Kremlin para uma retomada das relações, mas deixou claro que Moscou continua rejeitando a proposta do escudo.

“Valorizamos o enfoque responsável do presidente dos Estados Unidos para realizar nosso acordo. Estou disposto a seguir o diálogo”, declarou o presidente russo, em anúncio à TV nacional.

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