Se você tem por volta de 30 anos, com certeza se recorda do nome de Deborah Pádua Mello Neves. Eu, aos 44, ainda lembro do “cheiro” de livro novo quando recebia as cartilhas de ciências e estudos sociais na terceira e quarta série do antigo primário. Que prazer em aprender com ela!
Hoje, aos 90 anos, dona Deborah é uma lenda viva na história dos livros didáticos. Todos que já conviveram ou ainda convivem com ela ressaltam seu amor pela leitura, o gosto em acolher as pessoas em sua casa e também o prazer de realizar festa com boa música e em boas companhias.
Aliás, hoje ela participa de uma comemoração muito especial, em Piratininga, para celebrar os seus 90 anos, que serão completados no dia 26 deste mês, entre amigos, familiares e admiradores de seu exemplo de vida.
Mais de 100 livros
Dona de grande humildade, Deborah tornou-se uma das maiores escritoras de livros didáticos do Brasil, com mais de 100 publicações, como as célebres cartilhas de português, matemática, geografia e conhecimentos gerais, adotadas por escolas de todos os Estados do País.
A primeira publicação da cartilha foi em 1951, feita na Gráfica São João, em Bauru. A partir de 1952, elas passaram a ser impressas na Livraria Brasil, atual Tilibra, de João Martins Coube na época. Atendendo ao pedido da Fundação Biblioteca, da cidade de Nova York, Deborah teve suas obras editadas em braile pela instituição.
Jovens que participavam do Projeto Rondon, nas regiões mais distantes do País, adotavam suas cartilhas para alfabetizar as pessoas.
Ela ainda recebeu um pedido do Japão de uma remessa de seus livros. A partir de 1970, suas cartilhas passaram a ser editadas pelo Instituto Brasileiro de Edições Pedagógicas (Iebep), em São Paulo. Nessa editora, ela escreveu outros livros didáticos, alguns usando pseudônimos. Teve edições de seus livros adquiridas pela Fundação de Assistência ao Estudante, do Ministério de Educação e Cultura. São destaques em sua coletânea as obras “Viajando com as Palavras” e “Viajando com os Números”, de português e de matemática.
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História de vida
Deborah Pádua Mello Neves nasceu em Maracaí (SP), em 26 de setembro de 1919, filha de Sebastiana Sales Magalhães e Pedro Pádua Mello. A vocação para ser professora foi prematura, aos 3 anos, quando acompanhava a mãe que lecionava em escolas rurais de Laranjal Paulista. Sentada em um caixote de madeira, foi alfabetizada aos 5 anos.
Sua história em Bauru começou em 1932, quando veio morar na cidade com a família. Durante cinco anos, cursou o Colégio Guedes de Azevedo e, em 1936, concluiu o curso normal, tornando-se professora aos 17 anos. Casada com Othon Neves, de quem enviuvou, ela teve três filhos: a médica Mércia Lúcia, o advogado Valdemar e a psicóloga Ivone Maria.
Como professora substituta, iniciou sua carreira do magistério no 2.º Grupo Escolar de Vila Falcão e, ainda nessa condição, lecionou em uma escola da Água do Paiol. Foi efetivada, em seguida, em uma escola municipal no Barrocão.
Em 1939, ingressou no Grupo Escolar e Estadual de Paulistânia e de lá foi deslocada para uma escola rural de Piratininga. Depois, veio para o Grupo Escolar Mercedez Paz Bueno, em Bauru. Em julho de 1964, aposentou-se quando dava aulas no curso primário anexo ao Instituto de Educação Ernesto Monte.
Depois disso, até 1970, lecionou no Curso de Admissão Externato Paulista, de sua propriedade.
Deborah já foi homenageada por diversos clubes de serviços. Na Câmara Municipal de Bauru, recebeu o título de Cidadã Bauruense e, no centenário do Legislativo, o título de “Cidadã do Centenário”, junto de outras personalidades.