Por crescer sem planejamento, Bauru não dispõe atualmente do volume necessário de espaços adequados para cultura, lazer e esporte nos bairros. O diagnóstico é do prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB), que não se surpreendeu com a avaliação negativa apontada pela pesquisa do Instituto Impacto nas áreas de lazer, cultura e esporte.
“Há bairros que nunca vão ter esses espaços porque não têm áreas. Não foram reservadas áreas públicas. A não ser que a gente derrube casas para fazer espaços culturais e de lazer. Quase tudo é centralizado. Tivemos uma quantidade muito grande de eventos, mas a maioria deles no Parque Vitória Régia. Todo mês, tem dois ou três eventos no parque. Se a gente for levar para os bairros, não encontramos espaço”, reitera o chefe do Executivo.
De acordo com Rodrigo, para contornar o problema, a estratégia tem sido construir praças onde a administração municipal ainda tem áreas disponíveis. Nesse caso, as áreas são contempladas com equipamentos para esporte e lazer. O prefeito cita como exemplo uma pequena praça no Jardim Ivone, aparelhada com playground e duas quadras de esporte, além de outra no Parque das Nações - construída em parceria com o Rotary Club.
Rodrigo é enfático ao garantir que a dificuldade de acesso à cultura, esporte e lazer não tem relação com falta de verba. Entretanto, o JC revelou, anteontem, que a pasta de esporte e lazer está entre as cinco que contam com menos de 1% da receita orçamentária de 2010 para custear salários e ações, a despeito da demanda social.
“A Secretaria de Esportes tem orçamento, mas não tem conseguido executá-lo. Por isso, não tem necessidade de aumentar orçamento de um ano para o outro. Temos é que dar estrutura”, informa.
Para o prefeito, o contexto é de difícil resolução em uma ou mesmo em dez gestões. “É uma questão estrutural. Temos um monte de projetos esportivos. Estou inaugurando uma praça com toda a parte de esportes no Vânia Maria. Acabando essa, vou começar no Mary Dota. Vão ser anos até que a gente consiga levar espaços adequados a todos os cantos da cidade. Mas a gente está chegando lá ”, destaca.
Ele enfatiza que Bauru conta, atualmente, com cerca de 300 áreas verdes, mas a maioria está concentrada em pequenas rotatórias, triângulos e canteiro central de avenidas. “São poucas praças grandes. Selecionamos dez áreas estratégicas neste ano. Uma é no Vânia Maria. Está lotando de crianças mesmo antes de inaugurar. Outra é essa do Mary Dota. A própria Praça do Centenário da Migração também está lotando”, conclui.
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Ciclovia está prevista no Plano Diretor
Segundo o prefeito Rodrigo Agostinho, a criação de ciclovias, ciclofaixas, bicicletários, paraciclos e diversas outras iniciativas para incentivar a circulação de bikes em Bauru não é uma exclusividade do projeto de lei Pedala Bauru, idealizado pelo vereador Fernando Mantovani (PSDB).
“Isso faz parte do nosso plano de governo. O Plano Diretor estabeleceu. Vamos fazer, dentro do possível. Neste ano, não tínhamos previsão nenhuma para investir em ciclovia”, admite. Mas se a lei for aprovada na Câmara, a execução da idéia pode ser mais rápida. Dentre as iniciativas propostas pelo projeto de lei, está a criação de ciclovias e ciclofaixas.
Trata-se de espaços destinados especificamente à circulação de bicicletas. As primeiras são vias separadas da principal, com mão-dupla e de uso exclusivo das bicicletas. Já as segundas são faixas de trânsito em um único sentido, compartilhadas entre veículos motorizados e não motorizados, sendo que os últimos têm a preferência.
Conforme o JC já divulgou, para Mantovani, as principais candidatas a receber bicicletas seriam as avenidas com canteiros centrais largos, que poderiam ser abertas para comportar o trânsito de bicicletas, como a Nações Unidas e a Comendador José da Silva Martha.
No entanto, o primeiro passo do Pedala Bauru seria criar uma ciclofaixa de lazer na avenida Getúlio Vargas, no entorno do Aeroclube.
Em 22 de setembro, Dia Mundial Sem Carro, às 19h30, haverá uma audiência pública na Câmara Municipal para discutir o projeto de lei. O encontro é aberto à toda população.
‘Ibirapuera de Bauru’
O prolongamento da avenida Nações Unidas, com a instalação de duplicação em 12 meses no trecho Norte, não facilitará apenas o tráfego no Município como também garantirá à cidade um parque com 350 mil metros quadrados, já apelidado como “Ibirapuera de Bauru”.
Quando equipado, mesmo que não sirva de atrativo para moradores da Zona Sul, como receia o prefeito Rodrigo Agostinho, será uma opção de lazer para quem vive em bairros como Jardim TV e Jardim Marília.
O chefe do Executivo sabe que muita gente deixa de aproveitar as atividades culturais oferecidas no Parque Vitória Régia, por exemplo, porque não tem como custear passagem de ônibus para toda a família. “Agora, estamos acertando para colocar em funcionamento um novo caminhão palco. Mas não acredito que cultura e esporte em Bauru sejam elitizados. Mesmo nos bairros mais periféricos, a população tem participado de atividades, não necessariamente públicas”, diz.
Rodrigo Agostinho informa que, além de atividades promovidas pela administração municipal, os bairros contam com rodas de samba e “bailinhos” não realizados pela prefeitura. “Além disso, quase todos os bairros têm seu campinho de futebol, seu distrital. Podem não estar do jeito que a gente gostaria”, admite.