Tribuna do Leitor

Educação para a responsabilidade


| Tempo de leitura: 2 min

O espaço Opinião, edições do JC dos dias 4 e 15 deste mês, trouxe dois artigos excelentes, oportuníssimos pelos assuntos abordados. O primeiro, de autoria do ilustre jornalista Pedro Grava Zanotelli, sob o título “Lições de ética, honradez e educação”. O segundo, de autoria da ilustre professora Osolina Bresolin Vianna, intitulado “Educação no Trânsito”, membros da Academia Bauruense de Letras.

Os artigos focalizam, de modo claro e objetivo, a importância da educação e seu reflexo no comportamento das pessoas e devem ser lidos pelos professores das escolas do ensino fundamental e médio, como uma aula educativa no sentido da educação para a responsabilidade. Lembrei-me do livro “A Maior Herança”, de Sólon Borges dos Reis (Gráfica São José, SP, 1965). Para ilustrar como a educação afeta a conduta, o autor descreve um conto: Certa vez, na Grécia antiga, chegando a um espetáculo público, um homem de muita idade não encontrou lugar. Percorrendo o recinto à procura de assento, atravessou as arquibancadas em vão. Até que, chegando a um ponto onde estavam sentados diversos espartanos, estes se levantaram e cederam-lhe o lugar. O gesto chamou a atenção de todos e os presentes admirados aplaudiram. Vendo isto, um dos espartanos virou-se para o público presente e exclamou: - os atenienses sabem que se deve respeitar a velhice. Mas nós, os espartanos, respeitamos a velhice. Explicando a importância da educação o autor professor Sólon, disse: Este episódio da antigüidade clássica exemplifica bem o que é a educação. Não é a notícia que se tem do valor. É o hábito de viver esse valor. Implica na modificação do comportamento. Se a conduta não se alterou, a educação não se processou, como comprovou a conduta dos atenienses, estavam apenas informados sobre a necessidade de respeitar os mais velhos, ajudá-los. Mas essa informação não lhes afetou a vida ao ponto de modificar o seu comportamento em relação aos mais velhos. Os espartanos, além de instruídos do respeito devido aos mais idosos, estavam, de fato, educados. Na condição de professor aposentado do magistério estadual paulista, há 26 anos, sinto que vivemos uma crise contemporânea da educação. Os pais precisam impor limites ao comportamento educativo dos filhos. Estes sabem que não devem agir de certo modo, mas agem. Estão instruídos, mas não educados. Do mesmo modo, as escolas de educação básica necessitam voltar a ser a Casa de Educação e Instrução que outrora foram, respeitadas e valorizadas, em especial as escolas públicas, por ser a escola que educa o povo.

Rodolpho Pereira Lima 78 anos, professor aposentado

Comentários

Comentários