Política

Secretários têm de segurar despesas

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 3 min

Os secretários municipais de Bauru estão tendo que adiar programações pontuais, como alguns reparos, reposição de utensílios do dia-a-dia e cancelar viagens de auxiliares para congressos para que as contas da prefeitura não corra riscos no fechamento deste ano, o primeiro da gestão Rodrigo Agostinho (PMDB).

Ontem à noite, pouco antes de deixar o Palácio das Cerejeiras de bicicleta para comparecer à audiência pública realizada na Câmara Municipal de Bauru para discutir o projeto de ciclofaixas, Agostinho confirmou que editou uma circular, já no mês de agosto, onde o fundamento era racionalizar despesas de custeio.

“Nós tivemos queda de cerca de 15% nos repasses do Estado e da União (ICMS e FPM) e estamos segurando desde agosto. Os secretários receberam uma circular com orientação para racionalizar. Não vamos deixar de realizar nada que for prioritário, mas temos que não avançar em compras de materiais que podem esperar e algumas despesas normais para não atrapalhar as contas”, disse Rodrigo.

Apesar da precaução com gastos operacionais, a medida teve o objetivo, de fato, de conter ímpetos gastadores. Como a maioria dos secretários, além de assessores, é novato na gestão pública municipal, o Executivo verificou que os repetidos noticiários de bonança no caixa, a partir da entrada de receitas extras, poderia estimular o consumo.

Na caneta

Os principais efeitos para o eventual consumismo partiam, em boa dose, do próprio funcionalismo. Trocar uma cortina, comprar um utensílio novo para o departamento, substituir o velho armário e conseguir aprovação do chefe para comparecer a congresso são alguns dos exemplos inseridos na lista.

A sensação de bonança foi estimulada desde a posse, em janeiro, quando Rodrigo Agostinho assumiu com R$ 23 milhões sobrando no caixa, situação inédita para o quadro sucessório dos últimos 20 anos, quando o novo alcaide sempre assumia as “chaves das Cerejeiras” com o cofre vazio e uma lista de faturas a pagar na praça.

No início do segundo semestre, quando a conta-corrente oficial ainda apontava pelo menos R$ 50 milhões de saldo, o prefeito ainda obteve R$ 10,5 milhões em dinheiro da CEF - pela venda da folha de pagamento, em uma operação que rendeu um total de R$ 19 milhões.

O secretário de Finanças, Marcos Roberto Garcia, percebeu que a boa notícia para as contas poderia amolecer as chefias. “O prefeito entendeu que era preciso racionalizar. Se todo mundo passasse a trocar alguma coisa e a avançar nos planos de custeio, os recursos poderiam ameaçar investimentos que já estavam planejados. Para não afetar o que está separado para investir, o prefeito decidiu segurar as despesas operacionais”, confirmou Garcia.

Isso não significa que a gestão Rodrigo Agostinho passou a fazer economia. Na prática, o prefeito passou a ter de controlar os pedidos, segurando processos ou negando autorizações. Medidas como o aumento da despesa com folha de pagamento - reposição de inflação anual e concessão de abono - e a necessidade de garantir recurso para custear programas - como as desapropriações e compensações ambientais para algumas obras - exigiram segurar a caneta.

“Foi uma opção por racionalizar, maneirar em viagens para congressos ou esperar para outro momento a troca de algum item do cotidiano”, diz o secretário.

Com isso, gastos com adiantamentos (despesas de até R$ 8 mil para cada secretaria) e compras de material de rotina, passaram a ser racionalizados. “o Orçamento inicial previsto é de R$ 349 milhões e deve chegar a R$ 354 milhões, mas dentro desse valor já estão os R$ 10,5 milhões depositados pela CEF pela venda da folha de pagamento. Então, foi necessário segurar para não ultrapassar o que estava planejado e não gerar dificuldades no final do ano”, finalizou Garcia.

Comentários

Comentários