Internacional

Zelaya nega querer asilo político no Brasil

Folhapress
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Tegucigalpa - O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, que retornou à capital Tegucigalpa de surpresa ontem e permanece abrigado na embaixada brasileira, afirmou, em entrevista concedida à TV Globo, que pediu proteção ao Brasil, mas que não pretende pedir asilo político. O presidente interino de Honduras, Roberto Micheletti, já pediu ao governo brasileiro que asile Zelaya ou então o entregue às autoridades de Honduras para ser julgado.

O hondurenho afirmou esperar que sua presença exerça a pressão necessária para que um acordo político saia nas próximas horas. Zelaya afirmou que não estabeleceu um prazo para sua permanência na embaixada.

Nas últimas horas, ganharam força rumores de que o governo brasileiro sabia das intenções de Manuel Zelaya de voltar a Honduras com mais antecedência do que revelou - e, se não o encorajou, pelo menos não o dissuadiu ou, no mínimo, garantiu abrigo caso ele insistisse em levar a cabo a missão.

Posições de Dilma e Lula

Ontem, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, disse que o Brasil não deu cobertura à viagem. “Não incentivamos nem demos cobertura, apenas respeitamos. Isto é questão de direitos humanos fundamental”, disse.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu mais cedo que o Brasil fez o que qualquer outro país democrático faria ao permitir o refúgio de Zelaya em sua embaixada. Por regras de relações internacionais, há uma série de restrições à entrada das forças do governo local nas embaixadas.

Cerco à embaixada

Forças de segurança cercaram ontem a Embaixada do Brasil após entrarem em confronto com apoiadores do presidente deposto, Manuel Zelaya, que haviam se aglomerado em frente à representação na véspera para saudar o retorno do líder, deposto há 87 dias e refugiado no local desde então.

Utilizando bombas de gás lacrimogêneo, soldados e policias obrigaram cerca de 4.000 manifestantes pró-Zelaya a deixar os arredores da representação do Brasil em Tegucigalpa e ocuparam prédios contíguos, enquanto helicópteros sobrevoavam o local. Manifestantes reagiram atirando pedras, e ao menos 20 pessoas ficaram feridas. Ao menos duas bombas de gás lacrimogêneo foram jogadas contra a embaixada brasileira durante a dispersão, mas não houve relatos de feridos.

Segundo a polícia, cerca de 150 pessoas foram presas por desrespeito ao toque de recolher e por participação em distúrbios - que incluíram ataque a veículos das forças de segurança - e levados a um estádio de beisebol. Foram fechados também os quatro aeroportos internacionais hondurenhos e postos de controle na fronteira.

Provocação

O presidente deposto, que adotou o bordão “pátria, restituição ou morte”, disse que o cerco à representação permitia “antever atos piores de agressão e violência, inclusive a invasão da embaixada do Brasil”.

“Sabemos que estamos em perigo. (Mas) estamos dispostos a arriscar tudo, a nos sacrificar”, disse Zelaya, que convocou partidários a Tegucigalpa.

Respeito ao Brasil

O líder golpista, Roberto Micheletti, rejeitou, porém, uma invasão: “Digo publicamente ao presidente Lula, respeitaremos sua sede, porque é terra do Brasil, e nós a respeitaremos”.

Micheletti elogiou pedido de Lula a Zelaya para que não promova atos que dêem argumentos a uma invasão, mas voltou a cobrar de Brasília que conceda asilo ao deposto - o que Zelaya rejeita - ou então o entregue à Justiça hondurenha para a realização do “devido processo”.

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EUA garantem segurança

Honduras - Os Estados Unidos disseram que garantirão a segurança dos diplomatas e da Embaixada do Brasil em Tegucigalpa, se a situação chegar a esse ponto. A declaração foi feita ontem pelo porta-voz do Departamento de Estado norte-americano.

Brasil e EUA temem que Roberto Micheletti e o regime golpista possam desrespeitar os tratados internacionais que garantem a inviolabilidade das embaixadas ou, pior, que façam vista grossa para tentativas de aliados de fazer isso.

O pedido de eventual ajuda foi feito pelo chanceler brasileiro, Celso Amorim, e teve resposta positiva da colega americana, Hillary Clinton. De todos os países da região, os EUA foram o único a deixar embaixador em Tegucigalpa após o golpe de junho, e sua embaixada é de longe a mais bem-equipada.

Indagado ontem sobre o assunto, Ian Kelly, porta-voz da Chancelaria americana, disse em Washington: “O Brasil é um parceiro e aliado valioso, e queremos fazer tudo o que pudermos para garantir a segurança dos diplomatas brasileiros lá e a segurança da Embaixada’’.

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Brasil pede reunião sobre caso na ONU

Nova York - Após reunião com membros da OEA (Organização dos Estados Americanos) na sede da missão brasileira em Nova York, o Brasil enviou ontem uma carta ao Conselho de Segurança da ONU. O país solicitou a realização de uma reunião do órgão para garantir a segurança do presidente deposto, Manuel Zelaya, da embaixada brasileira em Honduras e de seus funcionários. Antes disso, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse a jornalistas que as partes devem encontrar uma saída negociada para o impasse.

Antes da reunião, o chanceler Celso Amorim disse que a medida é uma precaução depois que o governo interino cortou luz, água e determinou toque de recolher na cidade.

“Isso (a situação) é extremamente grave. Nós estamos numa situação peculiar porque estamos lidando com um governo que não é reconhecido pela comunidade internacional”, disse Amorim.

O Brasil procurou a Cruz Vermelha, o Pnud (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento) e a embaixada americana para medidas práticas de auxílio ao pessoal que está na embaixada, como fornecimento de alimentação.

O chanceler negou que ao recorrer ao Conselho de Segurança da ONU, o Brasil esteja buscando uma solução militar para o conflito. Disse que ainda não é hora de deslocar tropas para a região. Afirmou que o conselho pode optar também por sanções econômicas e que acredita que a solução para o caso virá, em termos políticos, pela OEA.

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