Bairros

Setembro é mais chuvoso dos últimos 6 anos

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 5 min

Após a tromba d’água de ontem pela manhã, em Bauru, este mês de setembro já é o mais chuvoso dos últimos seis anos, de acordo com o Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) da Universidade Estadual Paulista (Unesp). Entre o dia 1 e ontem, choveu na cidade 105,9 milímetros. Desde 2003, o setembro mais chuvoso foi o de 2006, com 62,5 milímetros. Portanto, neste mês a quantidade de precipitação já é 40% maior que o setembro mais chuvoso dos últimos seis anos. Após os transtornos do temporal de ontem, em que ruas ficaram alagadas, a previsão até sábado é de sol. Mas entre domingo e segunda-feira deve chover de novo.

Somente ontem choveu 38,6 milímetros em Bauru, mas distribuídos durante praticamente toda a manhã. “Se essa quantidade fosse em meia hora, teríamos grandes problemas na cidade”, avalia Álvaro de Brito, coordenador da Defesa Civil, lembrando a chuva do dia 8 de fevereiro de 2001, quando quatro pessoas morreram em Bauru durante um temporal de pouco mais de 40 minutos, que acumulou 49 milímetros. Mesmo assim, foi suficiente para deixar regiões mais baixas da cidade debaixo d’água.

É o caso da avenida Alfredo Maia, que virou uma lagoa e, como em praticamente todas as chuvas fortes, ficou interditada ao trânsito durante boa parte da manhã. Na quadra 21 da rua Mauro de Almeida Rocha, na Vila Industrial, via paralela à avenida Elias Miguel Maluf, a enxurrada também formou um grande lago, o problema mais grave causado pela chuva na avaliação de Brito porque inundou algumas casas. E, para piorar, como a rua não é pavimentada, bastante terra foi carregada pela água para dentro das casas.

“Molhou quase tudo em casa. Colchão, por exemplo, eu ergui, mas caixas e várias coisas que estavam guardadas debaixo da cama não deu tempo”, conta Maria Paula de Carvalho Moraes. Morando no local há sete meses, ela contou que passou a tarde lavando os móveis e a casa. “E junto com a enxurrada, também veio esgoto. Uma sujeira só”, completa. Mas ela não precisou abandonar a casa, assim como outras famílias que tiveram a casa invadida pela enxurrada.

Ainda na hora da chuva forte, a Defesa Civil foi ao local e tirou um colchão e vários entulhos de uma galeria pluvial na avenida Elias Miguel Maluf, mais acima, que estava obstruindo o escoamento da enxurrada. “A galeria, muito antiga, já é pequena e, entupida, não dava conta de escoar a água. Por isso formou a grande poça”, frisa. Para ajudar no escoamento da água, a Secretaria Municipal de Obras, usando uma máquina, fez uma barragem de contenção na rua para desviar o caminho da enxurrada.

Mas Brito ressalta que a solução definitiva exige galerias pluviais de maior diâmetro, que consiga escoar toda água que escorre sobre a rua, e o nivelamento das casas acima do da rua. “As casas dessa rua são abaixo do nível da rua, o que facilita a inundação”, completa. Mas de acordo com a Defesa Civil e o Corpo de Bombeiros não houve desabrigados nem feridos.

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Rio Bauru sobe, mas não chega a transbordar

Apesar da grande quantidade de chuva, a avenida Nações Unidas não precisou ser interditada na altura do viaduto da Fepasa, onde normalmente inunda. O rio Bauru subiu, mas não chegou a transbordar. “O trabalho de limpeza de galerias feito pela Secretaria de Obras, já com vistas às chuvas de final de ano, ajudou a evitar problemas maiores”, comentou Álvaro de Brito, coordenador da Defesa Civil.

Na área central, o grande volume de água correndo sobre o asfalto dificultou a vida de quem precisava ir a pé de um lado para o outro. Para não se molhar muito, o jeito era andar pelos locais mais altos. As ruas de terra da periferia ficaram bastante comprometidas pela quantidade de lama e buracos. Uma delas é a rua dos Milagres, no Jardim Vitória, onde está difícil transitar de carro. “As estradas rurais também foram bastante danificadas. Fiz o trajeto de Bauru e Tibiriçá ainda quando estava chovendo e tem vários pontos difíceis de atravessar”, relata Brito.

A chuva forte também provocou o desmoronamento de um barranco na rodovia Marechal Rondon, na altura do Parque Vista Alegre, para o lado do acostamento. Não foi necessário interditar a pista logo ao lado do barranco desmoronado. Durante a chuva, uma grande quantidade de enxurrada que saía do bairro carregando terra caiu na numa alça de acesso do PVA à rodovia, o que exigiu atenção dos motoristas.

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Para meteorologista, a precipitação acima da média ainda é normal

Apesar da quantidade recorde de chuva neste mês - é o setembro mais úmido desde 2003 -, para o meteorologista Gerhard Held, do Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet), por enquanto não há anormalidade na precipitação. Ele, que tem doutorado em meteorologia pela Universidade de Viena e atualmente é pesquisador do IPMet, tem um livro e vários trabalhos publicados em periódicos especializados e em anais de eventos, ressalta que essa variação da quantidade de chuva no mesmo mês, de um ano para outro, é normal.

E ele adianta que, com a previsão de mais chuva entre domingo e segunda-feira, o total acumulado do mês ainda vai aumentar. Held espera que em outubro também chova um pouco acima da média. “Esperamos cerca de 200 milímetros”, aponta. Em outubro do ano passado choveu 129 milímetros em Bauru, a maior quantidade no mês desde 2001.

Após sol, mais chuva

No início da tarde de ontem, logo após a tromba d´água, o sol apareceu. De hoje até sábado o céu deve ficar nublado e a probabilidade de chuva é mínima, de apenas 5%. Mas entre domingo e segunda-feira deve chover de novo em Bauru, de acordo com o Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC). E na terça-feira também deve chover.

O temporal de ontem foi provocado por uma frente fria que à tarde estava em ação no Mato Grosso do Sul. A temperatura máxima sobe um pouco - pode chegar na casa dos 30 graus - no sábado e domingo, mas deve cair outra vez a partir de segunda-feira.

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