Jaú - A esposa do prefeito de Jaú (47 quilômetros de Bauru), Osvaldo Franceschi Junior (PV), a primeira-dama Caroline Franceschi assumiu o comando do DEM na cidade, posto anteriormente ocupado pelo empresário Hamilton Chaves. O anúncio da troca na presidência da legenda foi feito na semana passada por Aloísio Rodrigues de Araújo, assessor do presidente estadual do DEM, Gilberto Kassab.
Caroline filiou-se ao DEM em fevereiro deste ano, à convite de Kassab. Na época, a possibilidade dela assumir o controle do diretório do partido em Jaú, ventilada por alguns setores da sociedade, causou mal-estar entre os dirigentes da legenda. O presidente Hamilton Chaves chegou a viajar a São Paulo para conversar com Kassab, que garantiu que não haveria mudança na presidência do diretório local.
Contudo, a filiação de Caroline acabou se refletindo na estrutura do partido e a relação entre ela e o grupo acabou se tornando difícil. “Desde a minha filiação, houve uma turbulência porque entenderam minha entrada no partido como uma briga pelo poder e pela presidência”, revela. “Queríamos realmente compor com o DEM, que é um partido importante para nós. Mas a minha entrada no DEM não foi aceita nesses termos. Então, ficou difícil essa negociação”.
Há aproximadamente vinte dias, a primeira-dama foi até São Paulo expor a Kassab sua situação na legenda. “O que ele havia me pedido para fazer pelo DEM, eu não conseguiria porque não era nem reconhecida como uma filiada”, afirma. Ela conta que chegou a propor sua desfiliação do partido, mas o presidente estadual acabou optando pela troca no comando para que o DEM pudesse dar seqüência ao seu projeto político na cidade. “O DEM, em Jaú, era um partido que não caminhava com as próprias pernas, era um partido âncora do PSDB. E isso incomodava muito o presidente do partido”.
Caroline não discorda que a mudança no comando da legenda também vai render frutos para o governo do seu marido, o prefeito Osvaldo Franceschi. “Hoje, o governo do Osvaldo precisa de uma base de sustentação. E eu não tenho dúvidas de que isso vai somar uma força política maior”, avalia. Contudo, segundo ela, a alteração atende a um projeto bem mais amplo do que uma simples aglutinação de forças políticas. “Agora, o DEM tem todas as condições de crescer como partido nas próximas eleições, ter candidatos próprios e seguir em frente fazendo um trabalho estruturado com a política do DEM”.
Na opinião da presidente do DEM, a relação com os vereadores da sigla, Ronaldo Formigão e Atílio Durval Gasparotto, que passa por uma fase turbulenta, tende a se estabilizar. “Eles são livres para, se quiserem, deixar o partido pela mudança de comando, sem que o partido tome qualquer atitude. É claro que nós queremos que eles fiquem porque eles já têm hoje uma relação muito boa com o prefeito”, disse.
O vereador Ronaldo Formigão (DEM) declara que vai continuar no DEM, mas impõe algumas condições. “Eu não pretendo sair do DEM, à princípio, mas também não vou aceitar nenhuma imposição partidária”, afirma.
O parlamentar conta que ainda não conversou com o atual comando do DEM em Jaú, mas acha que a relação entre ele e a atual presidente deverá ser marcada pelo respeito de ambas as partes. Contudo, não deixa de demonstrar sua insatisfação com as mudanças.
Formigão também não acredita que o fato do comando do DEM ter passado para as mãos da primeira-dama possa trazer benefícios políticos para o prefeito Osvaldo Franceschi. Segundo ele, a população não teria visto com bons olhos a maneira como se deu a troca na presidência da legenda. “Foi uma imposição que veio de cima para baixo, desrespeitando todo esse trabalho feito pelo DEM”, desabafa. “O prefeito quer ter siglas na mão, quer ter força, quer ter poder”, diz o vereador.