São Paulo - Um princípio de incêndio em um vagão do metrô que estava parado na estação Sé interrompeu a circulação de trens em toda a linha azul (norte-sul), prejudicando ao menos cerca de 100 mil usuários que aguardavam o embarque. O acidente ocorreu às 6h37 de ontem.
Ninguém ficou ferido. Os passageiros do vagão nem sequer notaram o que ocorria do lado de fora, na parte de baixo do trem - o fogo foi visto por um funcionário na plataforma.
O Metrô suspeita que o fogo tenha sido causado por um curto-circuito na parte inferior do vagão que ia para a estação Jabaquara. A circulação de trens na linha azul ficou interrompida por 19 minutos, tempo que o veículo ficou parado na Sé.
Os usuários da linha vermelha (leste-oeste) e dos trens acabaram afetados indiretamente pelo problema. Na linha vermelha, os trens tinham velocidade reduzida. Na estação Luz, passageiros da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) foram proibidos de fazer a baldeação para o metrô entre 7h40 e 8h.
Linhas de ônibus foram alteradas prefeitura das 7h às 8h30 para atender aos usuários. Só às 8h15 os serviços do Metrô foram normalizados, quando o vagão parcialmente incendiado chegou ao pátio da companhia, na estação Jabaquara. Segundo o gerente de operações do Metrô, Wilmar Fratini, funcionários da companhia notaram o princípio de incêndio e evacuaram o trem.
Usuários falaram à TV Globo que viram a fumaça quando ainda estavam dentro do vagão. “Quando o trem já estava muito cheio, começou a subir uma fumaça e um cheiro muito forte de borracha queimada’’, disse a passageira Lesly Anderson.
Pela manhã, diversos usuários reclamaram dos atrasos. Por volta das 9h30, dezenas de pessoas estavam atrasadas para compromissos. “Saí às 7h do trabalho e não consegui embarcar na (estação) Santa Cruz. Vim de ônibus para a Sé e, só agora, vou para casa, no Tucuruvi’’, disse a técnica em enfermagem Glória Piaba.
Passageiros parados próximos às estações Parada Inglesa e Armênia quebraram os dispositivos que abrem as portas do metrô e saíram pela lateral que dá acesso à estação. Houve correria, mas seguranças do metrô ajudaram a retirar os usuários.
Em um mês, o Metrô deverá emitir um laudo sobre o incidente. O trem afetado está em operação há 35 anos. Essa foi a segunda ocorrência com as mesmas características desde 2007, segundo o Metrô.
O sindicato dos metroviários disse que o incidente pode ter sido causado por falhas na manutenção do trem. A empresa descartou essa hipótese.
O maior acidente do Metrô paulistano foi em 2001, quando uma mulher morreu, supostamente por intoxicação, e 26 pessoas foram hospitalizadas por causa de um princípio de incêndio na Barra Funda.