O Brasil acaba de receber da agência de análise de riscos Moddy’s nota que o classifica como grau de investimento. Esta nota eleva a avaliação brasileira de nível de risco de crédito relevante para risco de crédito moderado. A reclassificação do risco brasileiro indica que os títulos públicos brasileiros passaram a ser considerados com baixo risco de crédito. Em outras palavras, baixa a possibilidade de dar calote. Isso possibilita mais entrada de recursos externos no Brasil. Muitos fundos de pensão estrangeiros só investem em países que possuam, no mínimo, o grau concedido agora ao Brasil.
O mercado como um todo recebe positivamente esta classificação. O apetite em investir no País aumenta. Há possibilidades de aumento dos investimentos produtivos, no lado real da economia, gerando bens, serviços e renda, portanto riqueza, sem contar a forte movimentação no mercado de títulos públicos, bolsa de valores e câmbio. Para o cidadão comum, há reflexos positivos. País com menor nível de risco atrai capital estrangeiro, que investe no País, que permite a expansão dos negócios, melhorando o nível de emprego. Também aumentará o poder de compra desse cidadão em relação aos produtos importados. Com a maior entrada de divisas no País, a oferta da moeda estrangeira aumenta, tendendo a derrubar a cotação do dólar.
Em contrapartida, considerando a visão macroeconômica, o governo deverá redobrar a atenção sobre o câmbio, à medida em que a entrada maior de divisas, indicará queda da cotação da moeda norte-americana, dificultando o comércio exterior brasileiro.
Apesar de as agências de avaliação de risco terem errado feio quando da percepção da crise internacional, é sempre positivo saber que o País avança economicamente e é viável para investimentos. Se não houvessem tantas interferências políticas poderíamos estar em patamares superiores ao atual, o que permitira fomentar mais fortemente o desenvolvimento do País. Apesar desta constatação, fiquemos com a notícia positiva da conquista de grau de investimento.
O autor, Reinaldo Cafeo, é economista e articulista do JC