Reunidos em assembléia ontem à noite, bancários de Bauru decidiram deflagrar greve por tempo indeterminado a partir de hoje em instituições financeiras públicas e privadas. Segundo o Sindicato dos Bancários, a decisão foi tomada em nível nacional e ainda não era possível enumerar quais agências ficariam fechadas hoje na cidade, nem precisar qual seria o nível de adesão dos funcionários.
No entanto, logo pela manhã, sindicalistas deverão se reunir em frente às agências para tentar convencer os trabalhadores resistentes ao movimento. “No primeiro dia a adesão nunca é de 100%, mas estamos bastante otimistas porque a decisão pela greve está sendo geral em todas as bases sindicais”, comenta o diretor do sindicato da categoria em Bauru Marcos Lenharo.
Até ontem, os sindicatos que integram a Conlutas e o Movimento Nacional de Oposição Bancária (MNOB) aguardavam uma contraproposta da Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), o que não ocorreu até o início da noite. Por essa razão, a categoria decidiu em assembléia, por unanimidade, cruzar os braços por tempo indeterminado.
As principais cláusulas econômicas solicitadas são 30% de reajuste salarial (referente à inflação do período de setembro de 2008 a setembro deste ano, mais reposição das perdas salariais dos últimos 15 anos) e que a participação nos lucros e resultados (PLR) seja de 25% do lucro líquido dos bancos distribuída de forma linear a todos os trabalhadores, além de parcela adicional. Além disso, os bancários também reivindicam contratação de mais funcionários, já que o déficit de mão-de-obra é apontado como o maior causador de filas nas agências.
“Não é uma luta somente corporativa porque envolve também os usuários, que sofrem muito com o péssimo atendimento resultante dessa política. Por isso, pedimos a compreensão e o apoio das pessoas”, frisa Lenharo.
Contratação
Segundo ele, há muito tempo os sindicatos vêm propondo que os bancos trabalhem no atendimento ao público durante o horário comercial (das 9h às 18h). Para isso, seria necessário abrir novos postos de trabalho. Uma das conseqüências, segundo o sindicalista, seria a melhora no atendimento à população.
“Se houvesse mais contratações, além de esperar menos tempo nas agências, os funcionários não ficariam tão sobrecarregados como estão hoje e poderiam atender melhor o usuário. Seria a forma mais honesta de os banqueiros cumprirem seu papel social e devolverem à população o mínimo daquilo que eles ganham facilmente”, define Lenharo.
Como proposta, a categoria recebeu da Fenaban uma oferta de 4,5% de reajuste nos vencimentos e participação nos lucros de 4%, acrescida de um valor fixo de R$ 1.500,00.
“É uma proposta medíocre e um desrespeito ao trabalhador, diante das perdas que os bancários vêm amargando ao longo dos anos. O lucro dos banqueiros tem crescido vertiginosamente e, em contrapartida, a categoria não obtém o retorno desse resultado. É uma falta de reconhecimento muito grande”, afirma o diretor.
Conforme divulgado pelo JC, durante a quinta e última rodada de negociações entre a Fenaban e a categoria, na semana passada, a entidade que representa os bancos recusou todas as reivindicações apresentadas oficialmente em uma pauta há mais de 30 dias.
Por isso, assim como a Conlutas e o MNOB, a Central Única dos Trabalhadores (CUT) também definiu pela paralisação nas agências bancárias por tempo indeterminado.
Às 18h de hoje, todas as correntes sindicais da categoria realizarão nova assembléia na sede do Sindicato dos Bancários para avaliar a evolução do movimento em âmbito nacional e definir pela manutenção ou suspensão da greve.
“Estão todos muito indignados com essa situação e os bancários estão dispostos a participar ativamente do movimento. Nosso objetivo é consolidar a greve em Bauru e, imediatamente, expandi-la para os cerca de 40 municípios que integram nossa base sindical”, conclui Marcos Lenharo.