Maior oferta de crédito ao consumidor, queda das taxas de juros, nível de emprego em alta e disposição por parte dos lojistas para exterminar definitivamente o fantasma da crise mundial que assombrou o comércio no final do ano passado. Estes são alguns dos ingredientes que compõem as expectativas positivas do comércio de Bauru para o Natal deste ano, que se somam à vocação da cidade no setor, atraindo cada vez mais consumidores da região em busca de variedade, qualidade e preços competitivos.
Entidades como Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) e Associação das Empresas do Calçadão (AEC) projetam alta nas vendas deste final de ano em torno de 8% sobre o mesmo período do ano passado.
A geração de empregos também faz parte desse cenário positivo. Segundo cálculo do economista e diretor da Acib, Reinaldo Cafeo, cerca de 2 mil pessoas devem ser contratadas para assumir vagas temporárias - no comércio central, zona sul, Bauru Shopping e em lojas de bairros - visando o maior movimento do final do ano. Muitos desses trabalhadores terão a chance de serem efetivados. Ainda segundo Cafeo, a cidade deve receber uma injeção em torno de R$ 100 milhões com o 13.º salário.
“Isso pode não vir totalmente em novembro e dezembro em função dos aposentados, pensionistas e de trabalhadores que recebem o salário extra de forma antecipada. Então, no final do ano deve oscilar entre R$ 80 milhões e R$ 90 milhões”, projeta o economista.
O presidente da Acib, Cássio Carvalho, diz que o “bolo” do 13.º salário acaba sendo dividido entre compras, pagamento de dívidas e investimentos como poupança e outras aplicações. Mesmo assim, há sempre uma parte “garantida” para as compras de Natal.
“Tudo indica que teremos um mês de dezembro melhor que o de 2008, mas ninguém (lojistas) deve ficar sonhando com números exagerados”, pondera.
No setor industrial, informações sobre o aumento da produção para atender a demanda crescente vão ao encontro das previsões positivas do comércio de Bauru. As indústrias da Zona Franca de Manaus (AM), principal pólo produtor de bens duráveis do País, vão contratar cerca de 3 mil temporários.
A assessoria de imprensa de uma grande rede varejista consultada pela reportagem informou que o volume de encomendas feitas para o final deste ano é 20% maior do que no mesmo período do ano passado. Os produtos mais vendidos devem ser televisores de plasma e LCD e itens de informática.
O presidente da CDL, Sérgio Evandro do Amaral Motta, confirma que os lojistas estão otimistas. Segundo ele, o comércio central registrou boas performances de vendas nos últimos meses e a tendência na reta final para Natal é melhorar.
O comerciante aproveita para fazer um alerta aos interessados nessas vagas. “Muitas lojas já estão recebendo e selecionando currículos. Então, quem deseja conquistar uma dessas vagas no comércio deve se apressar. É importante que as pessoas se informem sobre a melhor maneira de montar um currículo para que não coloque informações demais, ou ao contrário, deixe de citar dados importantes para quem vai fazer a seleção”, orienta.
Segundo Motta, após o auge dos reflexos da crise mundial sentidos no Brasil, muitos empregos foram recuperados e a confiança voltou a se firmar. “Estimativa é vender cerca de 8% a mais do que no final do ano passado, o que eu considero um resultado muito bom”, avalia o presidente da CDL.
Sem medo
O presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru (Acib), Cássio Carvalho, compartilha das expectativas positivas feitas para o final do ano. Segundo ele, o acesso mais facilitado ao crédito e o “dinheiro mais barato” com a queda das taxas de juros têm estimulado os consumidores.
“Os índices de inadimplência não tiveram quedas expressivas, mas as pessoas estão conseguindo se organizar melhor. No ano passado havia um medo muito grande do que poderia ocorrer na economia brasileira em função da crise econômica mundial. Agora as pessoas estão mais confiantes, mas é preciso planejar direito os gastos para não se ‘enrolar’ com dívidas no início do ano”, adverte.
O presidente da Associação das Empresas do Calçadão (AEC), Luiz Otaviano Machado, diz que “o comércio de Bauru foi muito bem neste ano e não chegou a sofrer, de fato, com a crise mundial. Certamente vamos superar os resultados do ano passado”, afirma.
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TVs e notebooks devem liderar vendas
Assim como a vocação de Bauru no setor comercial é notória, também é incontestável que a tecnologia vem conquistando a preferência do consumidor. Segundo o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), Sérgio Evandro do Amaral Motta, e outros lojistas consultados pela reportagem, os campeões de vendas neste final de ano serão as TVs de plasma e LCD, os notebooks e aparelhos de telefone celular, seguidos por roupas e calçados.
“Dezembro é um mês em que todos os segmentos do comércio vendem bem, mas eletroeletrônicos como notebooks e celulares devem ser os mais vendidos. As lojas especializadas na venda desses produtos têm obtido resultados muito bons”, afirma.
Márcio Flávio Reis, gerente de uma loja de departamentos localizada no Centro da cidade, diz que eletroeletrônicos e produtos da linha branca (como geladeira e fogão) devem ser os mais vendidos.
“De janeiro até agora, nós já vendemos 34% a mais em comparação com o mesmo período de 2008. A redução do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) derrubou os preços de muitos produtos, e o consumidor está aproveitando”, diz.
Em alguns exemplos citados por ele é possível perceber, na prática, a informação. Uma TV de LCD com tela de 52 polegadas da marca Sony custava em torno de R$ 8.400,00 no início do ano. Atualmente é possível levá-la para casa por R$ 5.500,00 (queda de 34%).
Um notebook com 3 GB de memória e disco rígido de 360 MB teve o preço reduzido de aproximadamente R$ 2.300,00 para R$ 1.690,00. Um refrigerador de 460 litros teve o preço reduzido de R$ 2.400,00 para R$ 1.800,00 após a queda do IPI. “Dezembro vai ser um sucesso de vendas”, define o gerente.