A idéia de transformar o prédio da antiga estação ferroviária, localizada na praça Machado de Mello, no Centro, na sede dos poderes Legislativo e Executivo, é vista como melhor opção para a utilização do espaço pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Bauru (Codepac).
De acordo com o presidente do órgão, Sérgio Losnak, a proposta que foi ventilada pelo prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) figura-se como uma boa alternativa pela característica de abrigar o poder público. Atualmente, o prédio pertence ao Sindicato dos Ferroviários. “Até porque a estação tem uma relação íntima com a cidade e com a essência do poder público. Ela é um ícone. O poder público seria um ícone, uma entidade relacionada à estação. Um shopping não teria o mesmo sentido. A gente vê que essa proposta é a que mais se adapta, não só pelo sentido simbólico, mas também pelo sentido físico”, afirma.
Para Losnak, o sentido da Câmara e da Prefeitura de Bauru se instalarem na antiga estação ferroviária se adapta à estrutura que foi construída na época. “Lá eram escritórios que foram feitos para receber setores administrativos da ferrovia. A linha do Codepac é essa. Aproximar ao máximo a idéia do motivo para qual o prédio foi construído”, diz.
A preocupação do Codepac é a população ter o bem dotado de sentidos, significados e com identidade, tombado pelo patrimônio e, ao mesmo tempo, preservado. “Usufruir de um prédio histórico é tão importante como ter um entendimento que ele deve ser tombado e preservado. A estação faz parte de um complexo ferroviário ímpar. É o maior símbolo de Bauru, que carrega uma força muito grande, de uma sociedade da época onde muitas pessoas trabalharam por lá. Então é muito importante ocupar aquele espaço e dar um sentido para ele, fazendo com que ele remeta à sua identidade.”
Custo da reforma
O custo da reforma do prédio poderá ser fator decisivo para o prefeito viabilizar a compra do empreendimento, avaliado pela Caixa Econômica Federal (CEF) em R$ 6,3 milhões. Agostinho disse que, se o Legislativo mostrar interesse em se instalar na estação, vai conversar com os vereadores sobre uma composição para tentar viabilizar o negócio. “Dar destinação para a estação está em meu plano de governo e vou atuar para cumprir. Vamos avaliar se o valor da reforma pode ser absorvido, se é a curto ou médio prazo. Se for viável o custo, a aquisição é uma alternativa.”
Entre as opções, o chefe do Executivo considera que prefeitura e Câmara podem reduzir o custo final do projeto. Rodrigo já afirmou que o Sindicato dos Ferroviários aceita parcelar o pagamento se ele for feito dentro do mandato, até 2012, e se a Câmara decidir pela estação, há chance de discutir amortizar o valor no Orçamento junto com a prefeitura e esta pode ser uma saída.
No Plano Plurianual (PPA), há uma previsão de R$ 5 milhões para a construção de um novo prédio para a Câmara. O dinheiro poderá ser usado na compra e reforma da antiga estação. O presidente da Casa, Pastor Luiz Carlos Barbosa (PTB), também mostrou-se favorável à medida.
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NOB fará 103 anos amanhã
Na década de 50, o Correio da Noroeste publicou uma versão provável do que seria o jornal em 1906. A manchete foi a inauguração dos primeiros 100 quilômetros da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil (NOB) em Bauru, no dia 27 de setembro daquele ano.
De acordo com o texto, “às 10h as salvas de bombas de sinal seguidas de morteiros disparados da margem direita do ribeirão Bauru anunciaram a aproximação do trem especial que trouxe a numerosa e ilustre comitiva. Às 11h50, ao som da Marselheza, ao estrondar de foguetes e ao ribomdo de morteiros, partiu o trem inaugural, rebocado pela locomotiva número 1 da Noroeste, que recebeu o nome de Presidente Tibiriçá. Inúmeras autoridades participaram da festa.
O trem fez vagarosamente a marcha inicial até transpor a primeira curva, em forma de ferradura, que se estenda da estação ao pontilhão sobre o ribeirão Bauru - onde começa o primeiro corte - e termina no córrego da Grama, por um plano elevado que, de certo ponto, permite descortinar o casario da Vila na sua parte central. Dali por diante, a velocidade foi acelerada para 35 quilômetros por hora.
Na estação de Lauro Muller, onde teve lugar a solenidade inaugural da primeira seção da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil, após o expressivo discurso que em nome da companhia foi pronunciado por Pedro Nolasco, ministro da Indústria, Viação e Obras Públicas, declarou inaugurada a linha nos primeiros 100 quilômetros e entregue ao tráfego o trecho Bauru a Jacutinga.
Leu-se então a ata lavrada no local e o mesmo engenheiro entregou ao diretor Lauro Muller, para que a firmasse em primeiro lugar a histórica caneta de ouro com que, em 1865, foi assinada, em idêntica cerimônia, a linha férrea de São Paulo a Socoracaba”.
Nos anos 90, a concessionária Novoeste assumiu a ferrovia. Atualmente, a ferrovia é administrada pela América Latina Logística (ALL), após a fusão desta com a Novoeste Brasil e a Brasil Ferrovias, fruto de transação acionária ocorrida em maio de 2006.
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Regras exigidas
A antiga estação ferroviária começou a funcionar em setembro de 1939 e foi tombada, oficialmente, em novembro de 2000. A área de preservação inclui as fachadas externas do bloco principal da estação paralelo à linha férrea. Todo o conjunto e sua volumetria tem preservação garantida, bem como o calçamento externo da plataforma de embarque, construído em placas de concreto.
O decreto impõe ao conjunto arquitetônico as restrições relacionadas à preservação. Ficam proibidas, portanto, quaisquer formas de destruição, demolição ou mutilação do imóvel. Obras visando a reparação, pintura ou a restauração do prédio poderão ser executadas, mas não antes de obter prévia autorização do Codepac.
Eventuais infrações a esse disposto serão punidas com multa equivalente a 50% do valor apurado do dano. “O conselho acompanha o processo com profissionais. O projeto da reforma também passa por avaliação do Codepac. Internamente, pode-se mudar em relação às suas necessidades, mediante análise do órgão também”, afirma o presidente do Codepac, Sérgio Losnak.
Da mesma forma, não poderá ser feita sem prévia autorização expressa do Conselho nenhuma construção ou ampliação na vizinhança da estrutura tombada. Está proibida, ainda, a colocação de anúncios ou cartazes que impeçam ou reduzam a visibilidade do patrimônio histórico, principalmente na faixa situada entre os prolongamentos das ruas 13 de Maio (viaduto João Simonetti) e Rio Branco.
Obras e objetos irregulares ou desacordo com o decreto de tombamento serão sumariamente demolidas ou retirados. Em ambos os casos, será aplicada multa de 50% do valor do prédio tombado.