Uma super rede de computadores, com capacidade de cálculos inédita na América Latina, foi colocada em operação na tarde de ontem. O sistema foi desenvolvido nos últimos três anos pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) e o câmpus de Bauru é uma das sete unidades da instituição a receber um terminal da rede, chamada GridUnesp. De acordo com o professor Pablo Antonio Venegas Urenda, responsável pelo projeto em Bauru, o sistema coloca o câmpus da cidade em um nível superior em pesquisas na áreas de física, química, matemática e ciências da computação.
O funcionamento do GridUnesp é considerado um marco nacional no uso da computação de alto desempenho e de redes ópticas de longas distâncias para pesquisa científica. O sistema é composto por quase 3 mil unidades de processamento, sendo 2.048 no núcleo principal, instalado no câmpus da Barra Funda, na Capital. O núcleo tem capacidade de desempenho teórico de cerca de 23,2 teraflops, ou seja, poderá efetuar trilhões de cálculos por segundo.
Ao todo, o sistema terá desempenho de 33,3 teraflops, somando as capacidades teóricas total do núcleo principal e dos sete pólos de acesso instalados nos câmpus de Araraquara, Bauru, Botucatu, Ilha Solteira, Rio Claro, São José do Rio Preto e também na Capital paulista, junto ao central. Cada um deles conta com 128 processadores.
O novo complexo permitirá o acesso aos mais elevados níveis de capacidade de processamento e armazenamento de dados em diversos campos da investigação científica, como, por exemplo, seqüenciamento genético, previsão do tempo, modelagem molecular e celular, reconstrução de imagens médicas, desenvolvimento de novos materiais, segurança de redes de dados, química quântica e física de altas energias.
“Teremos, agora, capacidade computacional para calcular vários sistemas físicos. Antigamente, tínhamos restrições para avaliarmos alguns sistemas. Vai elevar nossa pesquisa acadêmica para outro nível”, destaca Urenda. Ele também observa que o projeto foi completamente desenvolvido no Brasil. Apenas a parte de hardware foi adquirida de empresas norte-americanas.
O professor adianta que ainda faltam alguns acertos, como gerenciamento de contas de acesso, mas, desde ontem, a rede está funcionando e disponível para o câmpus da cidade. A expectativa é que cerca de 400 pesquisadores da unidade sejam beneficiados. Urenda destaca que Bauru participou da implementação da super rede, encaminhando ao governo projetos de pesquisa para assegurar o financiamento do programa. “E o câmpus de Bauru é o que possui maior número de pesquisadores que irão utilizar o sistema”, afirma o professor.
Investimentos
Foram investidos R$ 8 milhões em todo o programa. Desse total, R$ 4,4 milhões vieram da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e R$ 3,6 milhões da Unesp. Dos recursos federais, R$ 3 milhões foram empregados na aquisição dos oito conjuntos de processadores e R$ 1,35 milhão para a ampliação da rede de fibras ópticas que interliga, em caráter experimental, vários centros de pesquisa do Estado.
Os R$ 3,6 milhões da reitoria foram aplicados em obras na Barra Funda, na aquisição de equipamentos de apoio, como os de refrigeração e de energia elétrica.
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O que é
A computação em grid (grade, em português) é um conceito novo, no qual o poder de processamento de muitos clusters (aglomerados de computadores interconectados) se une para obter um desempenho muito superior ao que se conseguiria caso fossem mantidos isolados.
Os computadores do GridUnesp utilizam processadores Intel Xeon de quatro núcleos, e foram adquiridos da Sun Microsystems do Brasil, após processo licitatório. A definição das especificações e a análise das propostas técnicas e comerciais foram acompanhadas por uma comissão multi-institucional formada por especialistas na área.