Política

Em Bauru, Ciro faz críticas a Serra

Monise Centurion
| Tempo de leitura: 4 min

O deputado federal Ciro Gomes (PSB) disse ontem em Bauru, durante encontro regional da legenda, realizado no Legislativo do município, que está disposto a ser candidato a presidência da República e classificou como “equívoco estratégico sem precedentes na história brasileira” os oito anos que o Brasil foi administrado pelo PSDB, partido do governador José Serra, que pode ser seu maior adversário nas urnas em 2010. O político também voltou a criticar a aliança entre o PT e PMDB, referindo-se a ela como frouxa do ponto de vista moral e intelectual.

“A minha absoluta disposição é cumprir a tarefa que me for determinada pelo meu partido. Dei ao partido, o que faço com muita segurança, a faculdade de decidir a transferência de domicílio ou não. Até o presente momento, não tenho nenhuma diretriz do partido de fazer a transferência. Se precisar, faço com entusiasmo para cumprir a tarefa que me for determinada. Mas volto a dizer: “Minha disposição é para ser candidato a presidente da República”, afirma.

Na semana passada, em discurso para cerca de 200 sindicalistas da Força Sindical, na Capital paulista, o socialista acusou o oponente tucano de “ser feio para caramba, mais na alma do que no rosto”.

“Eu fiz essa brincadeira, mas não tenho nada contra a beleza do Serra não. Faço política com humor, não tenho nenhum desentendimento pessoal com o Serra, mas não tem jeito. Essas bobagens sempre são trazidas pelos jornais.” Ciro nega que tenha a tarefa de ser um crítico do PSDB. “Isso não guarda coerência com a minha biografia, que é pálida, mas tenho dela muito orgulho.”

Sobre a provável disputa nas urnas, o socialista diz que o governo Serra é razoavelmente bem avaliado e o único sentido seria aceitar uma candidatura determinada pelo partido para trazer a experiência de 30 anos de vida pública com êxito e deficiência.

“Para mobilizar a inteligência de São Paulo e refletir sobre o Estado, sobre o projeto, sobre os 16 anos de poder do PSDB, enfim, o que se poderia fazer para inovar. Eu não viria aqui para fazer de conta que sou íntimo, que tenho rotina no Estado, pois não tenho. A despeito que tenho orgulho de ter nascido em Pindamonhangaba.”

Se na Capital paulista o socialista havia falado de feiura, ontem em solo bauruense, Ciro resolveu usar os números para atacar o governador do Estado. Segundo ele, até o governo Itamar Franco, a dívida pública do Brasil representava 38% do Produto Interno Bruto (PIB).

“Em oito anos desse equívoco neoliberal que Fernando Henrique implantou com Serra de ministro, levou essa dívida para 78% do PIB. Eles privatizaram 100 bilhões de dólares. É uma coisa trágica, nada pessoal contra ninguém, mas é um equívoco estratégico sem precedentes na história brasileira e o Lula reverteu tudo isso.”

Em relação à aliança do PT e PMDB, o socialista afirma que o problema não é os peemedebistas. “O PMDB é um partido tão bom e tão ruim quanto qualquer outro. O problema é que tipo de hegemonia moral e intelectual preside a atual relação do PT com o PMDB e eu quero dizer que acho essa relação frouxa.”

‘Dividir votos é multiplicar’

As prováveis candidaturas de Ciro Gomes (PSB) e Marina Silva (PV) ao Palácio do Planalto estão provocando a divisão das intenções de votos de José Serra (PSDB) e Dilma Roussseff (PT) com estes possíveis nomes. É o que tem mostrado as últimas pesquisas. Para o socialista, na política, as vezes, a divisão é a multiplicação e o fenômeno pode ser benéfico.

“Se subtrai-se a minha candidatura, por exemplo, hoje, e se faz o gotejamento bipolar entre Serra e Dilma, Serra ganha no primeiro turno. Com a minha presença e a da Marina, pela primeira vez uma pesquisa indica que uma eleição não será resolvida no primeiro turno, que já é uma etapa vencida para nós. Importante. Todos nós que temos um conjunto de valores. Não é nada pessoal”, afirma.

Entretanto, Ciro continua que Serra foi oito anos ministro do Fernando Henrique e ele o fundador do PSDB e o primeiro governador da história dos tucanos e único das eleições de 90. “E eu rompi, porque nós tínhamos um conjunto de idéias, propostas e valores, que embalaram o Plano Real, que ajudei a fazer, e depois tudo isso jogado na lata do lixo. Eles adotaram com casca e tudo o neoliberalismo. Rompi e fui para o deserto.”

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