Um dia, no pequeno sítio “Água do Paiol” (Dona Salma), através de uma criatura inesquecível para a família e para os amigos, doutor Antônio José Miziara, tivemos o privilégio, honraria mesmo, de conhecer um homem de poucas e sábias palavras, sério demais para a sua idade (faz mais de trinta anos), mas quando expunha suas idéias o povo calava para aprender. Chamava a atenção seu jeito discreto e até recolhido, para o tanto que conhecia e como utilizava as palavras e os recursos da nossa língua portuguesa.
Mas não era apenas isso... Contava dos lugares e do mundo como se nos diversos mundos tivesse um domicílio. E tinha! Era dono do mais, de uma cultura insaciável alimentada pelos livros e sua vontade de aprender. Esta é sua grande característica, e sua inteligência, o passaporte para o planeta. Sua genialidade era tanta que não nos aproximávamos talvez para não interromper ou porque tínhamos receio de não alcançar tanta sabedoria e a conversa parar ali.
Mas, não era apenas isso...Como todo homem guardava conflitos, apreensões, cicatrizes e saudades... Só que talvez o meu tio Miziara partilhasse do seu íntimo. Ninguém mais, creio, tal a postura que assumia pública e profissionalmente. Elegante e o altivo mais modesto e educado que conheci. Naquele tempo inventou o homem blindado. Só ele entrava e saía de si.
Bauruense em todas as ações, inclusive nas beneméritas. Sempre atento. Nada escapava de seu olhar extremamente crítico. Sua palavra, jurisprudência para aqueles que o cercavam, sem rodeios ou meias palavras.
Mas não era apenas isso... Observava, lia, pesquisava, assistia, viajava e ouvia tudo e todos, antes de falar. Depois, talvez o silêncio; o que era sua opinião mais severa.
Excelente professor, conquistou a simpatia e a admiração de seus alunos. Foi agulha para muitas linhas de renome. Não conseguiram imitar, mas viajaram com uma bagagem intelectual para o enfrentamento das situações mais imprevisíveis.
Mas não era apenas isso... Quem poderia adentrar com tanta convicção e razão no coração de uma mãe, digo, mãe de uma jovem deficiente mental que se debatia a todo instante com o preconceito? Somente a genialidade incomum de um jornalista completo poderia relatar, sem recorrer aos grandes estudiosos do assunto, analistas e uma infinidade de profissionais, a dor de uma mãe e a frustração da filha que foi impedida de nadar na Hípica de Campinas. O nome do texto encerra qualquer dúvida: mãe é mãe.
Está ficando longa a minha homenagem. Aliás, ele gosta de textos mais sucintos, eu sei...
Mas, falar do grande de maneira pequena, só o ZB, Ilustre Cidadão Bauruense, como já registraram os empresários Eliane e Jair Lot Vieira e meu eterno professor de Latim, Gino Crês, com a modernidade da “Flor do Lácio”. Parabéns!
Catarina Carvalho e Catinha, inspiradora desta mensagem