Internacional

Governante socialista tenta seguir à frente de Portugal


| Tempo de leitura: 2 min

Lisboa - Uma batalha acirrada e repleta de polêmica. Assim se caracterizou a campanha para as eleições legislativas portuguesas de hoje, que definem o primeiro-ministro do país europeu pelos próximos quatro anos.

As últimas pesquisas colocavam o governista Partido Socialista (PS) na frente, com 38% das intenções de voto, mas sem conseguir a maioria absoluta, tal como aconteceu nas eleições de 2005, quando obteve 45% dos votos e 121 das 230 cadeiras no Parlamento.

As mesmas sondagens preveem para os sociais-democratas (PSD) um resultado de 30% que, somado aos 8% do conservador CDS-PP (Partido Popular), poderá favorecer uma coligação de centro-direita empatada com os socialistas.

O fenômeno destas eleições promete ser o partido esquerdista de Francisco Louçã. Calcula-se que o seu Bloco de Esquerda poderia conseguir 11% de votos, o suficiente para fazê-lo pular das atuais 8 para 22 cadeiras no Parlamento.

A perspectiva de uma terceira e nova força no cenário político poderá forçar o PS a estabelecer acordos pontuais com as agremiações rivais. O partido do premiê José Sócrates fez campanha destacando os tradicionais princípios de esquerda, com o objetivo de reconquistar parte do eleitorado que lhe deu as costas nas recentes eleições para o Parlamento Europeu e que sofre os efeitos da crise econômica.

O país acaba de superar a marca dos 500 mil desempregados (ou cerca de 9% da população economicamente ativa). O emprego fora apontado como umas das prioridades de José Sócrates em sua campanha eleitoral anterior.

Além disso, o premiê implementou fortes cortes orçamentais, com o argumento de que só assim Portugal poderia defender-se melhor da crise. Mas o líder socialista quer implementar medidas que estimulem a economia.

Seus planos incluem grandes obras públicas, incluindo a construção da ferrovia de alta velocidade, nos moldes de outros trens-bala europeus, que ligará Lisboa a Madri, na Espanha, a construção da terceira ponte sobre o rio Tejo e de um novo aeroporto internacional.

A líder do direitista PSD, Manuela Ferreira Leite, conhecida como a “Dama de Ferro”, disparou duras críticas em relação ao peso do Estado na economia e na sociedade.

A forte contestação e reprovação por parte da direita portuguesa já despertou a preocupação do governo espanhol já que, em caso de vitória do PSD, o futuro do projeto ferroviário ibérico poderá ficar seriamente ameaçado.

Desde a implementação da democracia, em 25 de abril de 1974, os dois maiores partidos travam a mesma disputa de poder em Portugal.

O que os distingüe são, em primeiro lugar, os costumes. De uma forma geral, o PS apresenta-se como uma agremiação com maior abertura, ao passo que o PSD se caracteriza como uma força política de natureza mais conservadora quanto à vida em sociedade.

Comentários

Comentários