Com um exército de mais de 6 mil pessoas trabalhando em empresas especializadas na área de recuperação de crédito, Bauru tornou-se referência no País no serviço de cobranças extra-judiciais e judiciais. Somando a quantidade de contatos feitos a cada mês pelos funcionários de apenas duas das maiores empresas do setor, chega-se ao expressivo número de 5,2 milhões de telefonemas.
Bancos públicos e privados, grandes redes varejistas, financeiras, operadoras de cartão de crédito e de telefonia (fixa e celular) são os principais clientes para os quais essas empresas trabalham, ficando responsáveis pela delicada tarefa de reduzir os índices de inadimplência deles.
Para o empresário Nelson Paschoalotto, presidente do Grupo NP - que atua na área de cobranças judiciais e extra-judiciais -, os brasileiros são bons pagadores e, na maior parte dos casos, tornam-se devedores em situações circunstanciais. A principal delas é o desemprego.
“O brasileiro é bom pagador. Com o comércio se equipando cada vez mais com tecnologias e tendo contato direto com órgãos como Serasa e SPC (Serviço de Proteção ao Crédito), as pessoas também têm se preocupado mais em manter o nome limpo para poder fazer compras parceladas”, observa.
Segundo informações da assessoria de imprensa, o Grupo NP é a maior empresa do Brasil em recuperação de crédito, empregando aproximadamente 3.500 pessoas somente nessa área. Em mais uma fase de expansão, o grupo anunciou anteontem a construção de uma unidade de recuperação de crédito em Agudos, onde serão geradas mais de 1.000 vagas de trabalho no setor a partir do início de 2010.
Nesta atividade, os funcionários da matriz do grupo em Bauru fazem uma média de 4 milhões de ligações ao mês. “Isso significa mais de 2,5 milhões de pessoas contatadas ao mês, porque a média é de 1,6 ligação por cliente”, calcula Nelson Paschoalotto.
Ao todo o grupo possui mais de 4.500 colaboradores entre todas as suas unidades. Além da matriz em Bauru, são 23 filiais localizadas em 14 Estados, que atendem a mais de 200 clientes em todo o Brasil. O grupo abrange uma série de atividades como administração de condomínios, terceirização de mão-de-obra, soluções em ouvidoria, entre outras.
Outra empresa do ramo que também trabalha com cobranças extra-judiciais e judiciais - sendo esta última o seu foco principal - que vem apresentando um rápido crescimento é a Avallone e Janzon Advogados Associados. A mais recente expansão dos serviços vem da vitória da empresa bauruense num processo de licitação do Banco do Brasil. Com isso, as cobranças judiciais da instituição financeira em todo o Estado de São Paulo passam a ser feitas apenas por ela e por outra empresa situada na Capital paulista.
“O Banco do Brasil está concentrando o número de empresas que trabalham para ele nessa área. Nessa licitação foram definidos apenas dois escritórios de advocacia para atuar na área de cobranças judiciais em todo o Estado. Ações trabalhistas, ações que visam a defesa dos interesses do Banco do Brasil, seja na defesa efetiva em uma ação ajuizada contra o banco como também na recuperação de crédito, são operações que, quando forem objeto de terceirização do trabalho, serão enviadas a nós e a essa outra empresa da Capital”, explica Eduardo Janzon Avallone Nogueira.
Na avaliação dele, o fato de Bauru ter cinco instituições de ensino superior que oferecem curso de direito está entre as explicações do crescimento do número de empresas que trabalham nessa área. “Tanto é que, a partir do momento em que esses estudantes iniciam o curso, já têm possibilidade de estágio”, observa.
Com o novo trabalho sendo desenvolvido para o Banco do Brasil, a empresa passará por uma nova fase de expansão que exigirá a abertura de centenas de novas vagas de trabalho. A mudança da sede para um prédio maior também já está sendo providenciada.
“No segmento bancário, seja na atuação de cobranças extra-judiciais ou no trabalho judicial, Bauru é um pólo de importância no País. Aqui temos não só faculdades que geram a formação profissional, como também existem grandes escritórios que atuam nos níveis estadual e nacional. Junto às instituições financeiras, formam um número muito representativo em termos de área de abrangência”, analisa o advogado.
A empresa capitaneada por Eduardo Nogueira foi fundada em 1999 com ênfase no direito bancário. Com o crescimento dos negócios e da abrangência da atuação, atualmente possui filiais em Presidente Prudente, Araçatuba, São José do Rio Preto, Ribeirão Preto, Campinas, Sorocaba, Santos, São José dos Campos e São Paulo.
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Projeção nacional
A Mandaliti Advogados, fundada em 1995, faz parte desse grupo que projetou o nome de Bauru no cenário nacional na área de direito bancário. Reinaldo Mandaliti, um dos sócios, ressalta que a empresa é jurídica, ou seja, 99% de sua atuação ocorre na área passiva (segmento de defesa dos bancos) e 1% é direcionado à recuperação de crédito na área de cobrança extra-judicial.
Ao todo, as duas empresas do grupo possuem 1.130 funcionários com 545 advogados. Somente na recuperação de crédito estão empregadas 180 pessoas, responsáveis por fazer acordos nos processos judiciais.
“No final do ano passado nós fizemos uma fusão resultante da divisão de uma grande empresa jurídica. Foi quando montamos outra empresa chamada J. Bueno e Mandaliti Sociedade de Advogados”, diz Reinaldo, mostrando o crescimento do grupo juntamente com a crescente demanda do setor.
A maioria dos clientes da empresa são instituições financeiras, mas também há companhias de outros segmentos em sua carteira de atendimento. Além das duas empresas situadas em Bauru, o grupo possui filiais em várias cidades do País, entre elas Presidente Prudente, Araçatuba, São José do Rio Preto, Rio Claro, Itápolis, Sorocaba, Campinas, Ribeirão Preto, São José dos Campos, São Paulo, Rio de Janeiro (RJ) e Curitiba (PR).