Quando a extinta RFFSA entregou o prédio da estação ferroviária de Bauru, no ano de 1999, para a concessionária da malha Bauru-Corumbá, eu apresentei uma sugestão, através dos dois jornais bauruenses: o Diário de Bauru e o Jornal da Cidade, para que o executivo de nossa cidade, então sob responsabilidade do bauruense, ex-ferroviário e advogado, Nilson Costa, ocupasse o prédio da estação ferroviária, mesmo que tivesse de arcar, na época, com o valor parcelado de R$3.800.000,00 (três milhões e oitocentos mil reais). Na sugestão, mencionei também que a ocupação do prédio seria para receber todas as repartições da prefeitura, espalhadas pela cidade, fazendo-se, inclusive, a revitalização da Praça Machado de Mello, o que, certamente, melhoraria o visual um tanto desvanecido do passado.
Um estacionamento poderia ser feito, cobrindo-se o leito da primeira e segunda linhas, entre as duas plataformas, ficando a terceira linha para acomodação da locomotiva 278 e da composição de carros de classes que compõe o trem turístico. A entrada do estacionamento, sob a cobertura em arco, seria feita entre o prédio do museu ferroviário e o prédio da estação, pela Rua 1º de Agosto e a saída dos veículos do estacionamento através do portão da ex-Sorocabana.
Com a aquisição agora do prédio da estação, pelo valor de seis milhões e trezentos mil reais, uma onerosa reforma interna terá que ser feita, ultrapassando dois milhões e meio de reais que deveria recair aos cofres da Câmara Municipal de Bauru. O prédio das Cerejeiras passaria, então, para a posse do Legislativo que também deseja um prédio próprio, pelo acanhamento do atual, em troca dos valores que a prefeitura gastaria com as reformas do prédio da estação. O prédio acanhado da Câmara passaria a sediar o Museu Municipal, localizado atualmente na Rua Antonio Alves, quadra 13 e também a Biblioteca que hoje se encontra no interior do prédio da Secretaria de Cultura.
O hall de entrada da estação, onde existiam as bilheterias da ferrovia, deve ser aproveitado para os balcões de atendimento ao público, enquanto os pavimentos térreo, primeiro e segundo do prédio abrigariam todas as repartições da prefeitura. O chefe do executivo poderia ocupar a sala que antigamente era destinada ao antigo diretor da NOB e posteriormente Superintendente da RFFSA, onde existe uma sacada para a praça. Assim, a preservação desse majestoso prédio continuará sendo feita, além de voltar a ser o que antes foi por muitos anos – o verdadeiro cartão postal de Bauru, muito embora esteja hoje com seus 70 anos de existência.
O autor, Vivaldo Pitta, é fundador do Museu de Avaí