Polícia

Jovem acha e devolve R$ 300 mil em ouro

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 3 min

Uma história incrível. Parece coisa de cinema, mas aconteceu em Bauru. Há dez dias, um jovem publicitário estava voltando para sua casa quando viu uma espécie de valise preta caída no chão, em uma rua do Jardim Europa, zona sul da cidade. Ao verificar o conteúdo da maleta, encontrou dezenas de peças de ouro, avaliadas em R$ 300 mil. No dia seguinte, devolveu tudo ao legítimo dono, sem aceitar qualquer recompensa.

Mas como encontrar o dono de uma maleta cheia de ouro? O publicitário teve a mais nobre das intenções e contou com uma verdadeira sincronicidade de eventos. O dono, por sua vez, obteve a necessária e boa conspiração da natureza a seu favor. Ou seja, os acontecimentos estão relacionados não por acaso, mas pelo seu significado comum.

Na noite de 18 de setembro, uma sexta-feira, o publicitário, de 24 anos, que pediu para que mantivéssemos seu nome no anonimato, tinha acabado de dar carona a uma colega de trabalho e voltava para casa com mais uma pessoa no carro. Ao passar pela rua Aviadora Anésia Pinheiro Machado, avistou a maleta caída ao chão. Antes de continuar a história, informamos que o JC concordou com o pedido do jovem de não ter seu nome divulgado por considerar que este é um direito a ele assegurado, pois não se trata de um personagem de um fato ruim, não se trata de nenhum infrator da sociedade, mas sim o autor de um exemplo de dignidade e respeito para com o próximo.

Ele pegou a valise e voltou à residência onde tinha deixado a amiga. Lá, os três conseguiram abrir a maleta e verificaram que ela continha várias peças, aparentemente de ouro. O trio imaginou que se tratavam de bijuterias. O rapaz foi até sua casa e mostrou o conteúdo para a mãe, que trabalha com jóias. Ela verificou que as peças eram todas de ouro puro. O material pesava cerca de 2 quilos.

A família entrou em contato com um conhecido, que verificou com a polícia se havia alguma queixa de furto dos produtos, mas nada foi encontrado. No dia seguinte, a mesma pessoa consultada pela família foi procurada por um representante comercial que iria negociar jóias na região. Ele contou que estava em desespero, pois havia perdido uma maleta com os produtos e só percebeu que não estava com os anéis, pulseiras, brincos e correntes no dia seguinte. Aparentemente, ele teria deixado a valise cair ao guardar produtos no porta-malas de seu carro.

Ele foi informado, então, pelo conhecido da família que podia ficar tranqüilo: sua maleta cheia de ouro tinha sido encontrada. Mas antes o interlocutor procurou a família e orientou a questionar o representante sobre detalhes da valise e do local onde a perdeu, por precaução e checagem sobre a propriedade. Após contato telefônico, foi comprovado que ele realmente era o dono do ouro. Aliviado ao saber que suas jóias estavam bem guardadas, o representante comercial marcou um encontro para a devolução dos produtos, na manhã do sábado.

Familiares do publicitário contam que ele não pensou em nenhum momento em ficar com as jóias. Ele disse que só estava preocupado com a pessoa que perdeu o mostruário. Às vezes, a honestidade também precisa de uma ajuda da sorte. E da sincronicidade, por incrível que pareça.

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