Hoje eles correspondem a 12% da população da cidade. Em 15 anos, os idosos serão 17% dos moradores de Bauru. De acordo com as projeções da Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade), atualmente o município conta com 43,4 mil pessoas com mais de 60 anos de idade. Além disso, Bauru mantém Índice de Envelhecimento Populacional maior que a média da região e do Estado. Hoje, Dia Nacional e Internacional do Idoso, os maiores de 60 de Bauru debatem políticas públicas e festejam a terceira idade.
Segundo a Fundação Seade, o Índice de Envelhecimento Populacional é a proporção de pessoas de mais de 60 anos por 100 indivíduos de até 14 anos. Em Bauru, essa média é de 56,47%. Ou seja, 10% maior que a do Estado. Darlene Tendolo, titular da Secretaria Municipal do Bem-estar Social (Sebes), destaca que esse números apontam a necessidade de destinar ações para atender esses munícipes.
“Uma cidade onde a população maior de 60 anos é crescente, realmente necessita de políticas públicas adequadas para resguardar a qualidade de vida dos idosos e oferecer condições para que sejam bem atendidos”, diz. A secretária destaca que em 2015, a expectativa é que os idosos atinjam a proporção de 17% da população. “Por isso a prefeitura tem investido em ações que integram as secretarias de Bem-Estar, Saúde, Educação, Cultura e Esporte e Lazer”, afirma.
Darlene avalia que um dos desafios é promover a inclusão digital dessa população. Uma das ações previstas para enfrentar a resistência de muitos velhinhos ao computador, é juntar os centros de convivências dos jovens com o dos idosos. Além de estimular os maiores de 60 a explorar a Internet, a medida também busca a troca de experiências com os mais novos.
“O Centro de Convivência que será instalado em imóvel ao lado da sede da Sebes, na rua Alfredo Maia, é uma das apostas da pasta. Espera-se a liberação de emenda complementar para a construção da unidade, que deve ser iniciada em 2010. “O local foi escolhido por já contar com uma boa quadra de esportes. Além disso, fica entre o Centro, Vila Falcão e Jardim Bela Vista, bairros que possuem grande quantidade de moradores idosos”, explica Darlene. A prefeitura também prevê a construção de uma praça com equipamentos adaptados aos maiores de 60 anos.
Liberdade
Para a psicóloga Gislaine Aude Fantin, coordenadora da Universidade Aberta à Terceira Idade (Uati), da Universidade do Sagrado Coração (USC), Bauru tem grande potencial de atendimento aos idosos. “Trabalhamos há 16 anos com a terceira idade e é perceptível que os coordenadores que atuam com essa população têm muita disposição e boa vontade. Além disso, a secretária municipal do Bem-Estar, Darlene Tendolo, mantém olhos voltados para o idoso de Bauru”, enfatiza.
Mas ela avalia que muitos idosos ainda precisam sair de suas casas e ganhar sua independência. “O desafio está na cabeça deles. O idoso de hoje passou por uma série de transformações. Estão buscando satisfação pessoal, realizações. Mas muitos ainda precisam soltar suas amarras”.
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Terceira idade elege miss 2009
Para encerrar as atividades da Semana Municipal da Terceira Idade em grande estilo, os organizadores promovem hoje a final do “Concurso Miss Melhor Idade 2009”. O evento será no salão social da Associação dos Aposentados Pensionistas e Idosos de Bauru e Região, nesta tarde. Além do concurso, que elegerá a senhora mais simpática e elegante, a festividade terá apresentação da Orquestra Sinfônica Municipal, sob a regência do maestro Paulo Marcos Gomes Pereira.
No ano passado, Belamizia da Cunha Lima, com 75 anos de idade, representante do grupo da terceira idade do Sesc foi eleita a Miss Melhor Idade 2008. Este ano o concurso contará com 16 candidatas, que representarão os grupos da cidade que estão participando das atividades da semana.
Uma das concorrentes, a professora e diretora de escola aposentada Maria de Lourdes Ferreira Pieroni, 61 anos, conta que não esperava a indicação para o concurso. A representante da Universidade Aberta à Terceira Idade (Uati) foi eleita pelos colegas. “Foi uma grande surpresa. Mas minha expectativa é representar a universidade da melhor forma”, conta.
Ela defende intensificação de políticas públicas para a terceira idade. “Ainda há muito a ser feito. Quem possui alguma condição financeira, pode manter uma boa qualidade de vida. Mas agora vejo que um idoso carente, sofre tanto quanto uma criança carente. Tem carência afetiva, financeira, de oportunidades”, avalia.
Vivian de Almeida Rocha, 66 anos, foi a primeira Miss Melhor Idade, no concurso realizado em 2007. “Foi muito gratificante representar a Universidade Aberta à Terceira Idade. Todas as mulheres deveriam participar, ser mais ousadas para conseguir seu lugar ao sol. Ao atingir nossa idade, muita gente acha que perdeu o valor. Na verdade, nós temos que nos valorizar e passar isso aos outros. Aos 66 anos, me sinto melhor que quando tinha 35”, destaca.
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Precisa melhorar
Hoje, Dia Nacional e Internacional do Idoso, também marca o encerramento da Semana Municipal da Terceira Idade. A edição 2009 do evento foi pontuada pela descentralização de atividades. De acordo com Maria Helena Bragança Albanesi, do Conselho Municipal da Pessoa Idosa (Comupi), a mudança foi positiva. “Vimos que nas edições anteriores a população carente ficava sem atendimento. Esse ano, todos os centros de convivência realizaram atividades”, conta.
Consciente do aumento da população com mais de 60 anos na cidade, o conselho mantém discussão sobre como Bauru pode melhor atender a terceira idade. “A cidade não está totalmente preparada para esse aumento populacional de idosos. “Discutimos uma série de projetos visando melhorar a situação e a qualidade de vida para a terceira idade”, diz Maria Helena Bragança Albanesi, secretária do conselho.
Entre os projetos do conselho está a construção de um centro de referência em saúde para idosos, com especialidades médicas e atendimento voltado para a terceira idade. “E as discussões estão positivas. Bauru foi escolhida pelo governo do Estado para receber esse centro”, afirma.
Amilton Alves Teixeira, 65 anos, escolheu Bauru para passar sua terceira idade por acaso. “Vim para cá em 1976 e não planejava envelhecer aqui. Acabou que tive um problema de saúde, passei por cirurgia e acabei ficando”, conta. Hoje, ele realiza diversas atividades, principalmente as intelectuais. Faz algumas matérias de jornalismo na universidade e também cursa filosofia. Para Teixeira, ainda falta investimento em várias áreas.
Já Marilena Berriel Joaquim destaca o lado positivo da terceira idade e afirma que basta ser criativo para ser feliz. “A vida sempre é boa para quem tem imaginação”, ressalta. Para ela, Bauru é um bom lugar para envelhecer. “Aqui tenho tudo. Faço academia, fui a única mulher a dirigir um clube na cidade, toco violão, canto, vou a festas, faço dança do ventre”, enumera.
Ela destaca que não precisa se sentir velhinha e avalia que ter tempo livre é uma das melhores partes da terceira idade. “Agora o tempo é meu. E adoro ser sozinha. Mas sou sozinha quando quero. Tenho meus amigos, meus filhos e netos, a universidade da terceira idade, mas não tenho dependência, não tenho o ‘e se’. Quando não tenho companhia para uma festa, por exemplo, me arrumo e vou sozinha”, enfatiza.
Mas Marilena pondera que não são todos os idosos que têm acesso a lazer e cultura. “É preciso pensar mais nisso. Quem mora em bairros mais afastados não tem essa oportunidade. Além disso, muitos não têm saúde para realizar tudo o que gostaria”, afirma.