Política

Comissão quer gestão aeroviária mista

Monise Centurion
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Audiência Pública, realizada ontem na Câmara Municipal de Bauru, defendeu uma parceria de gestão entre o Departamento Aeroviário do Estado de São Paulo (Daesp) e a Empresa Brasileira de Infra-estrutura Aeroportuária (Infraero) na administração do Aeroporto Moussa Tobias para viabilizar a instalação de um terminal de cargas no local e torná-lo alternativa da descentralização das operações ao Aeroporto de Viracopos, em Campinas.

Do encontro com a Comissão de Viracopos, formada por agentes públicos das cidades do entorno de Campinas (SP), ontem, também foi constituída uma comissão regional para defender, junto ao governo do Estado, com o apoio da representação presidida pelo vereador Bruno Ganen (PV), de Indaiatuba (SP), a instalação do terminal no Moussa Tobias.

“É importante que a Infraero assuma mais responsabilidades nesse processo, que o aeroporto de Bauru faça parte da rede de equipamentos da Infraero, de uma forma geral, de porte maior. O direcionamento dos aeroportos da Infraero é diferente da Daesp. A gente vê uma região forte, que merece um aeroporto forte, do porto de vista de cargas e passageiros. Deixar o Aeroporto como Moussa Tobias como ficou, com tudo para decolar, sem efetivamente decolar, é realmente politicagem. Temos agora é que fazer política e unir forças”, afirma o vereador Bruno Ganem (PV), de Indaiatuba, que preside a Comissão Metropolitana de Viracopos.

A instalação do terminal de cargas depende de investimentos de R$ 40 milhões a R$ 50 milhões, o que inclui adequação da capacidade de carga (PCN) e do comprimento da pista. A extensão do piso para pousos e decolagens tem de passar, pelo menos, dos atuais 2.100 metros para 2.600 metros. A capacidade de carga tem de ser o dobro das 42 toneladas instaladas (PCN).

O custo do investimento para uso como terminal do Moussa Tobias é inferior ao projeto que o governo federal insiste em discutir para o Aeroporto de Viracopos, ainda que aquele equipamento seja destinado a absorver demanda de passageiros de Cumbica (Guarulhos). O projeto de Viracopos é de R$ 6 bilhões. A comissão defende que a descentralização dos investimentos aeroviários contemple o terminal de cargas em Bauru. “Com certeza, o momento é muito propício para isso. Nesse sentido, a ampliação de Viracopos vai ocorrer, mas de maneira sustentável”, diz Ganem.

A audiência

Participaram da audiência pública, ontem, o prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB), o presidente da Câmara, Pastor Luiz Carlos Barbosa (PTB), o chefe de gabinete da Câmara, Ricardo Oliveira (PTB) e o ex-deputado estadual Roberto Purini (PMDB). Como oradores, manifestaram-se o presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru (Acib), Cássio Carvalho, o diretor regional do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), Domingos Malandrino, o diretor regional da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), José Luiz Simonelli, o professor Edson Mitsuya, do Departamento de Ciências Aeronáuticas da Instituição Toledo de Ensino (ITE), entre outras autoridades.

Estiveram também presentes os secretários municipais de Finanças, Marcos Garcia; de Saúde, Fernando Monti e do Desenvolvimento Econômico, Nico Mondelli, além dos vereadores Renato Purini (PMDB), Carlão do Gás (PR), Roque Ferreira (PT), Fernando Mantovani (PSDB), Fabiano Mariano (PDT), Roberval Sakai (PP) e Paulo Eduardo de Souza (PSB).

No final do encontro, o público deliberou duas ações: a formação de uma Comissão Regional Moussa Tobias para viabilizar o crescimento real do aeroporto e o agendamento de uma visita ao governador do Estado de São Paulo, José Serra (PSDB), para discutir o empreendimento bauruense. Em relação à pretensão de uso misto, além de ser formato novo em relação à gestão de aeroportos no Brasil, há o fato de que o Estado, que detém a cessão de gestão do equipamento, defende a concessão do equipamento para a iniciativa privada, pedido que já está sob avaliação federal.

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