A reunião realizada em São Paulo entre bancários e bancos para tentar pôr fim à greve da categoria terminou sem acordo, ontem, e a paralisação continua por tempo indeterminado em Bauru e em todo o País. Segundo o Sindicato dos Bancários local, a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) não apresentou proposta que satisfizesse os anseios da categoria e as negociações foram suspensas.
Para hoje, está prevista a retomada do diálogo entre a entidade e a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT). Enquanto isso, segundo o sindicato, 35 das 49 agências da cidade ficarão fechadas e 1.429 dos 1.691 funcionários permanecerão de braços cruzados. Na região abrangida pela base sindical de Bauru, a paralisação se estende aos municípios de Santa Cruz do Rio Pardo, Avaré, Lençóis Paulista, Piratininga, Agudos, Fartura, Piraju e Cabrália Paulista, onde as instituições bancárias funcionam parcialmente.
Em razão da indefinição, a assembléia de ontem, marcada anteriormente para avaliar uma eventual proposta dos banqueiros, serviu apenas para que os trabalhadores votassem pela continuidade da paralisação. Mas hoje, às 18h, novo encontro está agendado na sede do sindicato, na rua Marcondes Salgado, para avaliar uma possível nova proposta da Fenaban.
O debate sobre a participação nos lucros e resultados (PLR) tomou boa parte das negociações de ontem, na Capital, segundo informou o sindicato. Na pauta de reivindicações, os trabalhadores exigem participação de 25% do lucro líquido dos bancos, distribuída de forma linear a todos os trabalhadores, além de parcela adicional.
Também solicitam 30% de reajuste salarial, referente à inflação do último ano e à reposição das perdas salariais desde 1994. “Diferentemente do resto do País, onde os sindicatos são ligados à CUT (Central Única dos Trabalhadores) e reivindicam 10% de aumento de salário, queremos ter direito às perdas dos últimos 15 anos”, frisa Paulo Tonon, diretor do sindicato em Bauru, filiado à Conlutas.
A categoria também pede a inclusão na Convenção Coletiva de Trabalho de uma cláusula de proteção ao emprego em caso de fusão, contratação de mais funcionários, melhores condições de trabalho e combate a metas abusivas que provocam o adoecimento dos trabalhadores, entre outros itens. Em oferta anterior, a Fenaban previa reajuste de 4,5% nos vencimentos e participação nos lucros de 4%, acrescida de um valor fixo de R$ 1.500,00.
Segundo balanço divulgado pela Contraf-CUT, 6.944 agências bancárias do País ficaram fechadas e a greve atingiu todos os Estados e o Distrito Federal. Em São Paulo, 34,5 mil trabalhadores de 796 locais de trabalho ficaram parados. No entanto, o sindicato de Bauru alerta que as áreas das agências bancárias que concentram os caixas eletrônicos e outros terminais de auto-atendimento estão sendo mantidas abertas para que os clientes possam efetuar suas operações.
Agências
De acordo com o Sindicato dos Bancários em Bauru, o oitavio dia de greve foi encerrado ontem com 71,4% das agências fechadas, índice que não deve diminuir durante o dia de hoje, quando uma nova rodada de negociação ocorre entre bancos e bancários. Na cidade, até as 16h de ontem, estavam abertas apenas a agência Nações Unidas do Banco do Brasil, as unidades da Vila Falcão, Duque de Caxias e Nações Unidas do Itaú e todas as agências do Bradesco e Banco Rural. Caixa Econômica Federal (CEF), HSBC, Mercantil, Safra, Unibanco, Nossa Caixa e Santander/Real aderiram integralmente à paralisação.