Regional

Polícia desbarata golpistas em Lins

Lilian Grasiela
| Tempo de leitura: 2 min

Lins - A falta de sorte de uma quadrilha que se aproveitava da boa fé de pessoas doentes para aplicar golpes em Lins (102 quilômetros de Bauru) resultou ontem na prisão de nove pessoas, todas naturais da Bahia, e do proprietário do hotel onde o grupo estava hospedado na região central da cidade. O dono do estabelecimento foi preso por permitir que a quadrilha utilizasse o hotel para praticar os crimes.

O delegado titular da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Lins, Welinton Martinez Hernandes, disse que a polícia já vinha investigando a quadrilha com base no registro de um caso de estelionato ocorrido em agosto. A falta de sorte dos estelionatários que, anteontem, abordaram a vítima desse golpe pela segunda vez, fez com que a polícia iniciasse a busca aos golpistas.

Segundo o delegado, com base no relato da vítima, um senhor de idade que perdeu R$ 2,4 mil acreditando que iria ser curado de uma diabetes, possibilitou chegar ao local que o grupo estava hospedado. “É a segunda vez que eles usam aquele hotel para aplicar esses golpes”, explica. “Nós verificamos que o quarto é todo montado. Ele (dono) emprestou móveis para que eles montassem o altar”.

Para praticar o golpe, o titular da DIG conta que o grupo abordava as vítimas, geralmente pessoas de idade, oferecendo remédios e dizendo que eles conheciam um senhor que fazia benzimentos e vendia remédios caseiros que curavam qualquer tipo de doença. “Ele abordava a vítima e levava ela até esse curandeiro, esse estelionatário. Chegando lá, eles começavam a fazer o benzimento na vítima”, conta.

Durante o ritual, o falso curandeiro dizia que haviam feito macumba para a vítima, o que vinha provocando a doença. O estelionatário usava até mesmo ovos com tinta em seu interior, simulando a cor de sangue, e quebrava esses ovos para convencer a pessoa que ela estava sob efeito de poderes do mal.

Em seguida, segundo o delegado, eles pediam que a vítima levasse até o local todo o dinheiro que tinha em casa e do banco para ser benzido. “As pessoas levavam o dinheiro, eles embrulhavam num pacote, vedavam esse pacote com fita adesiva e, na hora de ir embora, davam a vítima um outro pacote similar aquele que eles fizeram, dizendo para eles abrirem depois de três dias, que o dinheiro estaria benzido”, conta. Quando o golpe era descoberto, os estelionatários já estavam longe.

De acordo com Hernandes, a polícia conseguiu identificar pelo menos mais duas vítimas da quadrilha. Uma delas teria perdido R$ 23 mil no dia 17 de agosto. A outra vítima, que na tarde de ontem estava sendo levada à delegacia para fazer o reconhecimento do grupo, foi lesada em R$ 50 mil.

Os acusados foram indiciados pelos crimes de tentativa de estelionato, formação de quadrilha e levados à Cadeia Pública de Promissão, onde ficarão à disposição da justiça.

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