Genebra - A primeira negociação oficial entre EUA e Irã em três décadas, no encontro do chamado P5+1 em Genebra, acabou ontem com Teerã comprometendo-se a abrir a inspeções internacionais a recém-revelada usina nuclear de Qom e com os participantes acertando outra reunião até o final de outubro.
Os acenos conciliatórios de parte a parte amenizam a escalada de tensões em torno do programa nuclear do Irã, que culminou com a acusação das potências ocidentais na semana passada de que o país omitiu da AIEA (a Agência Internacional de Energia Atômica) a construção da sua segunda central de enriquecimento de urânio. “Deixamos claro que faremos a nossa parte para engajar o Irã (no diálogo nuclear) na base do interesse e do respeito mútuos, mas a nossa paciência não é ilimitada”, alertou depois o presidente dos EUA, Barack Obama.
Logo após a reunião do P5+1, a AIEA, ligada à ONU, anunciou para os próximos dias a visita do secretário-geral, Mohamed El Baradei a Teerã, a primeira desde janeiro de 2008.
O chefe da diplomacia da UE (União Européia), Javier Solana, que integrou a delegação ocidental, disse esperar do governo iraniano “completa cooperação” na busca por informações da usina nuclear de Qom, o que o Irã já garantira que fará.
O governo iraniano também já havia afirmado, porém, que não está em questão o seu programa de enriquecimento de urânio e não deu mostras ontem de que recuará da posição.
Para Obama, a medida seria “um passo no sentido da construção da confiança’’ bilateral.
A secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, disse que o encontro “abriu a porta, mas vamos esperar para ver o que acontece’’.