Pela primeira vez em Bauru, a Multifeira Internacional de Artesanato abriu suas portas ontem, na Luso, para apresentar uma volta ao mundo em sabores, cheiros e cores. Com obras de 23 países e oito Estados, o evento traz tanto amuletos de R$ 5,00 a jóias que chegam a R$ 20 mil.
Vindo de Istambul, principal cidade da Turquia, o simpático artesão Adnan Geyk explica que todas as peças que usa em suas pulseiras e colares é feita em vidro, manualmente pela família. “Tudo é feito lá e trazido para o Brasil. Aqui, apenas pintamos e montamos”, conta. A maioria dos amuletos é feita com o “olho turco”, para espantar a inveja. “Tudo é de vidro feito a 1.500 graus.”
Já o indiano Imtyas Hussein representa a família e cooperativas de artesanato, que fazem manualmente capas de almofadas, tapetes e colchas. “São mais de 20 famílias trabalhando juntas”, destaca. As capas feitas com bordados ponto a ponto de cashmere são atrações à parte, além de tapetes que levam até seis meses para ficarem prontos, mesmo com três artesãos trabalhando, são vendidos até por R$ 2 mil. Os mais simples saem por R$ 180,00.
Da Tunísia, Aicha Junior Gueno mantém a tradição da família vendendo os perfumes sem álcool. “Aqui vendemos as cerâmicas pintadas à mão, bolsas em couro de camelo e gaiolas em formato de mesquita”, conta. Alguns deles leva até um ano para ficar pronto. Uma das essências, a Mil e Uma Noites, é tradicional. Ele conta que é costume no dia do casamento o noivo presentear a esposa com um frasco.
Produtos nacionais
Entre as atrações nacionais tem até panela feita com tecnologia alemã. Esqueça o anti-aderente. Nas panelas Tiwas, que em guarani significa abundância, são usados cerâmica e ferro. Elas são fundidas e lixadas artesanalmente. Em seguida, é aplicado titânio para impedir que os alimentos grudem no fundo. Não precisa nem usar óleo para as frituras. “Elas são produzidas em Palmital e são vendidas apenas em feiras ou por encomenda”, explica o expositor Adilson José dos Santos. As panelas são de vários tamanhos e as frigideiras custam a partir de R$ 150,00. Encomendas pelo e-mail mwquality @terra.com.br.
No estande de uma cooperativa de Tocantins, os visitantes podem conhecer as belas bijuterias feitas com capim dourado. Essa vegetação não pode ser cultivada e o processo para a confecção dos brincos, pulseiras, colares e bolsas com a planta começa ainda na colheita. Segundo o artesão Wagner Saraiva, a ramagem não pode ser cortada com facão. “Tem que ser arrancado manualmente”, explica. Com o capim, os membros da Associação dos Artesãos de Ponte Alta do Tocantins fazem até 10 brincos cada um por dia, que são vendidos a R$ 15,00. Já uma bolsa leva até 10 dias para ser feita e são vendidas a partir de R$ 80,00.
O expositor Vinícius Rafael Venâncio explica que em seu estande são vendidas - além de miniaturas de instrumentos musicais e peças de artesanato feitos por ele mesmo, como filtros de sonhos - pedras brutas para trazer ou absorver energias. Para trazer proteção para as casas, ele tem a “receita”. “Juntar em um vaso, de preferência com água ou uma fonte, turmalina negra, cristal bruto, citrino e ametista rocha”, diz.
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Aniversário
De acordo com o organizador do evento, Carlos Alberto Pizani, da CAP Promoções e Eventos, a expectativa é de público de 45 mil pessoas. “É a primeira vez que trazemos essa feira para Bauru, mas a receptividade foi muito grande”. Ele adianta que já existem planos para uma nova exposição. “Ano que vem voltaremos com a feira para fazer parte das comemorações do aniversário de Bauru.”
• Serviço
Evento vai até o dia 11 deste mês, no ginásio da Luso, das 15h às 22h. Entrada: R$ 5 (crianças menores de 10 anos e idosos acima de 65 anos não pagam). Informações: (14) 3313-9565 e (16) 8184-9591.
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Gastronomia e artesanato típicos
Centros de mesa e toalhas feitos com as legítimas rendas do Ceará chamam a atenção pela acabamento impecável. O expositor Antônio Apoliano Silveira explica que uma das peças mais caras do estande, uma toalha de mesa em ponto Renascença, com 3 metros de comprimento e 1,80 de largura, sai por R$ 3 mil. “Para fazer, leva-se dois meses, com três pessoas trabalhando intensamente”, conta. Mas é possível também encontrar caminhos de mesa feitos em linho por R$ 4,90.
Para quem não perde a oportunidade de se deliciar com doces, o estande de Portugal traz iguarias típicas do País, como os pasteizinhos de Belém e de Santa Clara. As delícias são feitas por uma confeitaria tipicamente lusitana de Atibaia. Para conseguir a massa fininha, caraterística do pastel de Santa Clara, a expositora Efigênia Labrota, destaca que a empresa segue a tradição. “A massa é passada várias vezes pelo cilindro e depois colocada manualmente nas forminhas. Não existe tecnologia”, conta. Cada docinho custa R$ 4.
Tipicamente vestidos, os índios pataxós de Cabrália (BA) trouxeram artesanato em madeira e brincos e pulseiras de penas e contas para a feira. As gamelas são as mais procuradas. “Elas são feitas à mão. Usamos uma ferramenta chamada enxó para cavá-las”, explica Guaratibaia Pataxó. Cada artesão consegue fazer até cinco peças, sem acabamento, por dia.