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Consumidor não pesquisa preços de produtos básicos

Juliana Franco
| Tempo de leitura: 4 min

Grande parte dos consumidores não está habituada a fazer pesquisa na hora das compras nos supermercados. Estudo divulgado pela empresa especializada em pesquisa de mercado GfK mostra que os brasileiros pouco se preocupam com o preço quando os produtos são básicos, como arroz, feijão e óleo de cozinha. Eles chegam a demorar oito vezes mais para decidir qual tinta de cabelo levar do que qual marca de açúcar, por exemplo.

Em média, o consumidor demora 45 segundos para escolher produtos como arroz, feijão e óleo. Em alguns casos, como na compra de açúcar, o tempo cai para 14 segundos. Já com produtos de higiene pessoal o tempo médio de compra é de 59 segundos.

A pesquisa entrevistou 1.593 pessoas e 75% delas disseram não comparar preços e produtos similares quando se trata de itens da cesta básica. Na maioria dos casos, o apego às marcas é mais forte do que o custo do item no bolso.

Uma das justificativas apontadas pela pesquisa é que a diferença de preço entre itens alimentícios costuma ser pequena. Por isso, a pessoa vai diretamente ao produto que está acostumada, o que mostra a força da marca. Mas o economista Reinaldo Cafeo alerta: uma pequena diferença de R$ 0,10 pode significar alguns reais no final da compra ou até mesmo no orçamento anual da família.

O envolvimento ou prazer do consumidor pode ser verificado pelo tempo despendido na atividade. A compra de açúcar é rápida, em média 14 segundos no Brasil. Esse tempo aumenta quando comparado com categorias menos básicas como refrigerantes e outras bebidas não alcoólicas, que ficam em torno de 30 segundos. O período chega a cerca de dois minutos para categorias com alto envolvimento, como produtos para pele ou tintura para cabelo.

Em uma rede de supermercados de Bauru, a reportagem do JC notou atitudes diferentes das divulgadas pelo estudo. Vários consumidores faziam compras com o folheto de promoção nas mãos. Esse é o caso da empresária Roberta de Oliveira. Segundo ela, geralmente o responsável pelas compras de supermercado em sua casa é o marido.

“Ele sempre pesquisa. Pega folhetos de promoções em diversos supermercados. Além disso, costumamos fazer compras em diferentes estabelecimentos. Procuramos os que oferecem mais vantagens”, revela.

A telefonista Gisele Delfino procura aliar preço e qualidade. Antes de comprar direto o produto da marca de sua preferência, ela compara o valor com marcas similares. “Sempre estou atenta quando faço compras. Comparo preço, verifico validade dos produtos, faço tudo com calma. Antes trazia lista de compras, hoje não trago mais, tenho tudo na cabeça”, afirma.

Diferente do resultado apontado pelo estudo, Gisele afirma que gasta mais tempo comprando produtos da cesta básica do que de higiene ou limpeza. “Pesquiso antes de levar. Mas também nunca vou no mais barato se não tiver qualidade. Procuro sempre aliar as duas coisas”, revela.

Já o pedreiro José Roque sempre procura os produtos mais em conta. “Minha opção sempre é pelos que custam menos”, conta.

Cultura

Segundo o economista Reinaldo Cafeo, o brasileiro em geral não tem cultura de educação financeira. “Isso faz com que o consumidor esbanje nas compras”, revela.

Ele aponta que há diferenças de até 50% no valor do produto de um supermercado para outro. “Mas, é evidente que fica difícil comprar um produto em um local A, outro no B, outro no C, pois envolve deslocamento. O ideal é que o consumidor olhe os panfletos, as ofertas e, pelo conjunto, determine o local da compra”, explica. Outra dica é setorizar as compras. Para Cafeo, com os estabelecimentos abertos de domingo a domingo, fica mais fácil fazer compras separadas.

Lista

A pesquisa divulgada pela empresa de pesquisa de mercado GfK revela que nos mercados de bairro 77% dos clientes fazem lista de compras. No caso dos que freqüentam os hipermercados, 71% fazem lista, número que cai para 67% entre os que preferem os supermercados.

Para o economista Reinaldo Cafeo, a lista de compras é fundamental. “A pessoa que vai ao supermercado sem uma lista prévia, certamente vai comprar mais do que deveria. Com uma lista, o consumidor fica mais direcionado, mais preso aos produtos que realmente precisa”, explica. “É claro que o comprador vai acabar aproveitando uma promoção ou outra. Mas a compra desnecessária é menor quando se tem lista.”

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