Enquanto os partidos “emergentes” roubam a cena no xadrez eleitoral, PT e PSDB, que historicamente polarizam as disputas pelo governo estadual desde a era Mário Covas, mantêm a agenda paulista estreitamente ligada à sucessão presidencial. Petistas e tucanos concentram esforços com absoluta prioridade na montagem de palanques para os projetos de Dilma Rousseff e José Serra, relegando a segundo plano a corrida pelo Palácio dos Bandeirantes.
O PT trabalha com diversos cenários na eleição para governador, mas a candidatura própria é a mais provável - já que uma virtual composição para lançar Ciro Gomes (PSB) como antagonista do legado tucano no Estado parece ruir ante a escalada do deputado federal pelo Ceará nas pesquisas rumo ao Planalto.
A direção estadual do PT trabalha com dois nomes mais palpitantes: o do prefeito de Osasco, Emídio de Souza, e o do ex-ministro da Fazenda e atual deputado federal Antonio Palocci, recém-absolvido pelo Supremo Tribunal Federal no chamado ‘escândalo do caseiro’.
A ex-prefeita da capital e ex-ministra do Turismo, Marta Suplicy outro nome de densidade eleitoral na legenda, pretende disputar uma vaga na Câmara dos Deputados, puxando votos para a chapa de candidatos ao Congresso.
O presidente estadual do PT, Edinho Silva, planeja realizar uma série de reuniões setoriais para construir o programa de governo. A cúpula partidária sustenta que as análises e estudos produzidos pela bancada petista na Assembleia Legislativa subsidiarão a plataforma do candidato da sigla à sucessão no Estado.
Em seu microblog na internet, Edinho se mostrou empolgado com Palocci e seu desempenho perante uma platéia de prefeitos em recente encontro realizado em Ribeirão Preto. “Ele está muito preparado para 2010”, escreveu o dirigente à ocasião.
No PSDB, que lidera as pesquisas de intenção de voto com o ex-governador e atual secretário de Desenvolvimento, Geraldo Alckmin, a sua indicação está longe de ser unânime.
Amparado pelo grupo mais alinhado ao governador José Serra e por lideranças de potenciais aliados como o DEM e o PMDB, o secretário da Casa Civil, Aloysio Nunes Ferreira Filho, intensificou sua peregrinação pelo interior e se mostra firme na intenção de colocar seu nome na corrida pelo Palácio dos Bandeirantes. Os dirigentes da sigla, todavia, pregam cautela e acreditam que a definição só virá em 2010.
“Há tempo para tudo. Eleição é ano par, como bem diz o ex-governador Alckmin. Acredito que a discussão da candidatura em São Paulo passa, necessariamente, pela sucessão presidencial. Quando definirmos o quadro nacional, partiremos para a escolha do nosso nome para o governo do Estado”, diz o deputado estadual Vaz de Lima, líder da base governista na Assembleia Legislativa.
Ele refuta a hipótese de Geraldo Alckmin, insatisfeito com o silêncio da cúpula partidária, deixar o ninho tucano, a exemplo do que fizera seu correligionário Gabriel Chalita, que migrou para o PSB.
“Alckmin é um homem de partido, a chance de ele sair é zero. Ele, inclusive, insistiu bastante para que o Chalita permanecesse no PSDB”, completa Vaz de Lima.
Ele sustenta ainda que a probabilidade de uma reedição da aliança PSDB-DEM é alta, apesar dos cada vez mais ruidosos movimentos do prefeito Gilberto Kassab em direção à corrida pelo governo estadual. “O desempenho do Kassab o credencia para disputar qualquer cargo, mas acredito no seu comprometimento com o projeto de José Serra.”