Política

Entre candidatura própria e apoio a Ciro Gomes, PT se reúne em Lençóis Paulista

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 4 min

Lideranças regionais e estaduais do PT se reuniram ontem em Lençóis Paulista para discutir o novo programa de governo para a eleição de 2010. O evento teve participações do presidente estadual do PT, Edinho Silva, dos deputados estaduais Vanderlei Siraque e Roberto Felício, com mediação da vice-prefeita de Bauru, Estela Almagro. O PT ainda não definiu qual será seu candidato ao governo. Aliás, a definição de um nome próprio para disputar o Palácio dos Bandeirantes parece estar perdendo força. Para Estela, um candidato petista ao governo não é fundamental, desde que o projeto do partido esteja representado. A outra opção é apoiar o deputado Ciro Gomes, do PSB, que transferiu seu domicílio eleitoral para São Paulo.

Para Edinho, a orientação é de fechar um nome dentro do PT para as próximas eleições. Antônio Palocci, o ministro Fernando Haddad, a ex-prefeita Marta Suplicy, o deputado federal Arlindo Chinaglia, o prefeito de Osasco, Emídio de Souza, e o senador Aloysio Mercadante são os mais cotados. “A resolução aprovada e a orientação partidária é para uma candidatura própria, que será apresentada e discutida com partidos aliados”, diz. “E esse é o esforço agora do PT”, ressalta.

O dirigente destaca que o processo para a definição do nome petista para o governo estadual começa amanhã. É quando está prevista a primeira reunião oficial para discutir as eleições estaduais, com a presença de deputados estaduais, federais, senadores, membros da executiva nacional de São Paulo e os pré-candidatos petistas.

“E segunda-feira já estará encerrado o processo de mudança de partido, de troca de domicílios e teremos um quadro real. Vamos construir um calendário para que o partido possa ir dialogando com esses pré-candidatos para, efetivamente, saber quem mantém seu nome à disposição e quem mudou de opinião, para chegar a um nome”, afirma Edinho.

No entanto, a vice-prefeita de Bauru acredita que a questão não está tão fechada assim. “Acho que dessa vez nós conseguiremos eleger o governador do Estado e não acho fundamental que seja nosso, necessariamente. Acho que tenha que ser um candidato que represente o projeto”, afirma.

E ela menciona Bauru como exemplo. “Nós conseguimos avançar quando reunimos um número suficiente de aliados que representasse o projeto que a gente acredita. Em 2004, nós tivemos um bom desempenho, mas o PT estava praticamente sozinho e sentimos a dificuldade de crescer na cidade. Então, no ano passado, a gente não discutiu o cargo em si, mas o projeto. E unindo partidos que caracterizavam um grupo, que representa um projeto com identidade. Isso nos deu força e penso que São Paulo deve fazer a mesma coisa”, pondera.

“Apesar do diretório estadual ter uma resolução que diz que nós vamos construir uma candidatura nossa que será apresentada aos aliados, não significa que esse é um processo encerrado, que não possa ser candidatura de um dos partidos aliados”, destaca Estela. “Para mim, é fundamental que os partidos estejam juntos e que criem em São Paulo um palanque forte o suficiente para a gente ganhar não só a eleição, mas também para ser o palanque para o terceiro mandado do partido, que hoje é a Dilma (Rousseff)”, afirma a vice-prefeita.

“Para o projeto nacional, é importante que São Paulo esteja forte. E para isso, nós temos que aglutinar os partidos de centro-esquerda e deixar claro para a população qual é o nosso projeto”, acrescenta.

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Candidatos regionais

Tanto Estela quanto Edinho afirmam que o PT terá candidatos a deputados estaduais e federais nas macro-regiões do Estado. “Vamos incentivar o lançamento de candidaturas para melhorar a representatividade do partido e também ajudar na organização da campanha na região”, diz Edinho. “Apostaremos em nomes que defendam nosso projeto de governo e organizem o palanque para Dilma”, enfatiza.

A vice-prefeita de Bauru preferiu não adiantar nomes. “Ainda é cedo para colocarmos nomes, não que eles não estejam colocados. Nossa executiva tem a concepção de não informar agora, pois acaba criando no partido e na mídia um debate em torno dessas candidaturas. E infelizmente, acaba desqualificando o trabalho que essas pessoas estejam desenvolvendo em frente a tarefas que já têm”, observa.

Questionada sobre sua possível candidatura a deputada estadual, ela é diplomática. “Ainda que seja, eu não considero que esse seja um momento adequado, porque agora eu cumpro uma tarefa como dirigente do partido e vice-prefeita de Bauru. E aí, todas as ações que a gente faça, seja pela cidade, seja pelo partido, acabam se confundindo por equívoco, ou por maldade, em ações eleitoreiras”, afirma.

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