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Eles se apaixonaram por Bauru

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 4 min

Sabe aquela história do rapaz que decide namorar uma garota só para não ficar sozinho, mas na verdade, sua vontade é ficar com uma outra menina? Enquanto sua verdadeira paixão continuar distante, ele vai ficando com a namorada, mas pensando na outra. Com o tempo, entretanto, descobre que a namorada atual tem virtudes e se apaixona por ela. Agora, nem que a outra esteja disponível, ele não tem mais interesse. Quer ficar com a nova companheira.

Pois então, histórias assim não se restringem à vida amorosa das pessoas. Ela atinge também outras esferas, como o lugar onde se vive. O Jornal da Cidade ouviu relatos de moradores que vieram para cá para trabalhar, mas no fundo a vontade era ir para uma outra cidade. No entanto, as virtudes de Bauru conquistaram o coração desses trabalhadores e eles não querem mais deixar a cidade.

O enredo é comum na vida daqueles que prestam concurso público para algum cargo no serviço estadual ou federal. São designados para trabalhar aqui, aceitam de bom grado a indicação, mas chegam já pensando numa possível transferência para outra cidade, para ficar mais perto da família ou por outro motivo qualquer.

Enquanto a transferência não vem, elas vão percebendo que Bauru tem seus atrativos e, aos poucos, vão se simpatizando com a cidade a ponto de se apaixonarem por ela. Com isso, a idéia da transferência vai perdendo força até desaparecer completamente.

Foi o que aconteceu com o supervisor de habitação Luciano Machado Gardim. Quase dois anos depois de ter sido aprovado no concurso público da Caixa Econômica Federal, ele foi chamado para assumir uma vaga. Das opções que lhe foram apresentadas, Bauru era a única cidade de porte médio. As demais eram pequenas, assim como a cidade onde morava, Cerqueira César.

Gardim escolheu vir para cá, mas com planos na cabeça de, assim que possível, solicitar transferência para alguma agência mais próxima da casa dos pais. Na época, ele era solteiro. O bancário lembra que uma vaga em Avaré, Itaju ou Santa Cruz do Rio Pardo seria ótima, porque são cidades próximas de sua terra natal.

De fato, Gardim solicitou por várias vezes a transferência. O tempo foi passando e enquanto esperava por uma resposta positiva, percebeu que não tinha mais a mínima vontade de deixar Bauru. Quando descobriu isso, ele já estava casado e com um filho e decidiu trazer o restante da família (mulher e filho) para cá também.

Gardim diz que aprendeu a gostar de Bauru. “Se abrir uma agência do lado da casa da minha mãe e me oferecerem uma transferência para lá, eu agradeço de coração, mas vou dizer que prefiro ficar”, afirma.

O leque de opções que a cidade oferece na área de lazer, educação, alimentação, entre outras, foi apontado por ele como um dos principais motivos que o levaram a ser “fisgado” por Bauru. “Aqui tem opções para tudo o que eu preciso. Minha filha de 5 anos, por exemplo, adora artes plásticas. Eu consegui matriculá-la em um curso aqui, algo impensável na cidade onde eu morava”, comenta. “Só consegui porque estou aqui.”

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Foi, mas voltou

A história do administrador de empresas Leonardo Rezende Valle é um pouco diferente. O mineiro veio a Bauru para trabalhar na construção do Centro de Atenção Integral à Criança (CAIC) do Núcleo Nova Esperança. Isso foi há 15 anos. Ele veio a serviço da construtora que havia ganho a concorrência para construir esses centros em todo o Brasil, na época do governo Fernando Collor.

O serviço demorou 1 ano e meio, mas Valle não quis ir embora. Ele conta que considerava Bauru uma cidade promissora 15 anos atrás. Além disso, oferecia boa qualidade de vida e era um lugar relativamente tranqüilo.

Em 2005 prestou concurso para trabalhar nos Correios e foi aprovado. Passou dois anos morando e trabalhando no Rio de Janeiro, mas a Cidade Maravilhosa e suas praias encantadoras não conseguiram conquistar Valle. Ele decidiu pedir transferência. Mas ao invés de escolher como destino a cidade mineira de Juiz de Fora, onde estava a família, ele optou por voltar a Bauru.

“Parte dos moradores costuma dizer que a cidade não tem nada. Eu discordo. É uma cidade que tem suas limitações, assim como qualquer outra, mas atende plenamente minhas necessidades.” Na opinião dele, Bauru tem bons restaurantes, boas casas noturnas, cinemas de qualidade, enfim, boas opções de lazer.

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