Fiquei muito surpresa na cerimônia de Consagração de Bauru ao Coração de Jesus. Me impressionou a simplicidade franciscana do nosso bispo, dom Caetano Ferrari OFM. Me impressionou sua humildade e prontidão em atender a proposta do “Grupo de Amigos Canção Nova”. Tudo foi muito suave em termos humanos e muito profundo na parte mística. Tenho certeza de que a atmosfera da nossa cidade foi mudada. Acredito em coisas suaves provocando grandes resultados... Me chama muito a atenção um texto do Velho Testamento (1 Reis 19,9-12) onde o profeta Elias espera Deus que vai passar. Então, veio um vento impetuoso e Deus não estava no vento. Veio um terremoto e Deus não estava. Veio um fogo abrasador e Deus não estava. Então, ouviu-se o murmúrio de uma brisa suave e Elias cobriu o rosto e Deus falou com ele. Sou muito detalhista, gosto de coisas pequenas que fazem a diferença. Não acredito em orações muito fervorosas, nem em pessoas muito radicais e sérias (Deus tem bom humor...), nunca fui atrás das modernas aparições de Maria. A Virgem Maria que eu acredito, age no silêncio e é “desaparecida”, não é o centro. Não é alcoviteira nem manda recados.
Todos os dias tenho sinais da “brisa suave” em minha vida. A Virgem Puríssima está sempre comigo, nas pequeninas coisas: num livro que me chega às mãos com respostas ao meu coração; num telefonema, num encontro, numa gentileza inesperada, num problema que consigo resolver... De 1997 até 2003, frequentei um grupo de oração da paróquia São Judas Tadeu. Um grupo pequeno e muito “suave”... Não tínhamos abraços calorosos, nem orações com imposição de mãos; quase não cantávamos e não fazíamos grandes barulhos. Conversávamos com Jesus, Ele conosco, e nós umas com as outras. Conhecíamos os anseios, temores e vitórias umas das outras. O grupo deu muitos frutos e gerou muitas amizades verdadeiras, produziu em nós uma fé madura. Me irrita profundamente em alguns grupos de oração o que eu chamo de “a hora do amasso”, o momento que somos quase obrigados a abraçar estranhos e dizer-lhes coisas afetuosas. Isso não convence ninguém! Fora do grupo é cada um por si. Não entendo!
Entendo sim, pequenos gestos que mudam realidades: fazer um favor a uma pessoa que nunca poderá nos retribuir, dar uma carona num dia de sol escaldante, ficar num hospital com alguém, “ouvir” quem precisa (ouvir, não ficar falando), mandar uma carta, dar um sorriso, fazer uma comida gostosa e dividir com alguém... essas coisas são “orações poderosas” do cotidiano! Aquecem o coração de quem faz e de quem recebe. Acho que é por isso que gosto tanto de frequentar o Mosteiro da Imaculada Conceição.
Não nos dias de festa, nem nas missas aos domingos. Gosto do cotidiano simples das monjas, que transformam “tudo” em oração, as mínimas coisas... “A religião não é aquilo em que acreditamos; é o modo como vivemos” (John Luther).
Damaris do Padre Pio