Para quem mora em Bauru, caminhar pelas ruas e avenidas entre os carros, motocicletas e ciclistas tem se tornado cada dia mais freqüente. Isto porque é difícil encontrar pela cidade um quarteirão em que as todas as calçadas dos imóveis estejam no mesmo nível ou que ofereçam condições para circulação.
Seja na área central, seja nos bairros mais valorizados ou periféricos, a falta de manutenção nessas calçadas transforma o espaço - que em tese é destinado exclusivamente para o uso do pedestre - em um campo minado. Buracos, piso solto, mato alto e degraus com altura acima do permitido em lei obrigam os pedestres a ‘invadirem’ as ruas e as avenidas e, assim, expor a própria vida ao risco.
O município tem lesgilação própria que trata do assunto e, inclusive, que define declividade máxima, como deve ser o rebaixamento para entrada e saída de veículos e o tipo de piso necessário para áreas residenciais e comerciais, mas a falta de fiscalização, que gera a certeza de impunidade, tem transformado o simples “caminhar pela calçada” num grande desafio diário.
Se a falta de conservação com calçadas danificadas, mato alto e adaptações fora da lei tem complicado a vida de quem se locomove pela cidade a pé, em alguns bairros mais afastados, aonde a “modernidade” como guias e sarjetas, galerias pluviais e o asfalto ainda não chegou, calçada é um sonho, um projeto para o futuro.
As grandes erosões forjadas pelas enxurradas forçam os moradores, deficientes físicos e as mães que empurram carrinhos de bebê, por exemplo, a literalmente “brigarem” por um espaço nas ruas com os veículos.
A definição dada por Gisele Aro Bressan é a mais acertada. Para ela, que é moradora da Vila Independência e precisa se deslocar todos os dias para o trabalho nas proximidades da quadra 9 da avenida Joaquim da Silva Martha, grande parte das calçadas em Bauru está em estado precário.
“Dia desses, estava indo almoçar e, junto com mais ou menos umas dez crianças, estudantes de uma escola aqui perto, tivemos que andar pela rua por quase uma quarteirão devido às más condições do passeio”, recorda. Ela afirma, ainda, que o problema se repete em diversos trechos do trajeto que faz todos os dias da sua casa ao trabalho.
Para evitar pequenos acidentes, como torções, Bressan adotou o tênis como fiel companheiro para se deslocar ao trabalho. “Andar pelas calçadas da cidade com um sapato de salto ou mesmo sandálias fica impossível, devido à má conservação da maioria das calçadas na cidade”, completa.
Outro problema, além da falta de manutenção da maior parte das calçadas na cidade, está nas construções e reformas. Caçambas para depósitos de entulhos e materiais como pedra, areia, tijolos, telhas e equipamentos obstruem a passagem das pessoas e as obrigam a caminhar pelas ruas.
Calçadas sem condições de uso ou com a passagem obstruída também podem resultar em atropelamentos. De acordo com os registros do Jornal da Cidade, somente neste ano 11 pessoas foram atropeladas em diferentes regiões da cidade. No início do mês de julho, foram registrados cinco atropelamentos com vítimas leves.
Crianças e idosos são as principais vítimas. Muitas vezes, a própria vítima deixa de observar o trânsito ao atravessar a rua, mas outras vezes a pessoa é surpreendida por um veículo ao ter que caminhar pela rua devida à falta de pavimento nas calçadas.
Se existe a dificuldade de fiscalização por parte do município, falta também interesse de muitos proprietários em manter o passeio público transitável em frente à sua residência ou comércio.
O arquiteto Claudio Antonio Berriel Ricci, chama a atenção para a importância que a calçada bem conservada exerce dentro de um projeto residencial ou comercial. “O passeio público é o cartão de visita do imóvel, é ele que visto pela visita ou por um possível comprador em primeiro lugar. Mantê-lo conservado, com certeza, agrega valor e beleza ao imóvel”, assegura.
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Área central deve ter calçadas com rampas de acesso
Para garantir acessibilidades de deficientes físicos entre calçadas e ruas da cidade, equipes da Secretaria Municipal de Obras de Bauru trabalham na área central para cumprir a determinação do Ministério Público (MP) para regularizar e construir 333 rampas.
Levantamento feito pela administração municipal apontou que a região central conta com 130 rampas, menos da metade determinada pelo MP. Outro problema está na forma como elas foram construídas: mais de 50% delas apresenta alguma irregularidade.
Além de determinar a construção de outras 203 rampas, o MP pediu a adequação de 70 das 130 existentes de acordo com as normas da Associação Brasileiras de Normas Técnicas (ABNT).
Atualmente, equipes da Secretaria Municipal de Obras trabalham para cumprir a determinação, que é apenas a primeira etapa do projeto com pretensão de fazer de Bauru uma cidade com acessibilidade para os deficientes físicos.
De acordo com a Assessoria de Imprensa da Prefeitura de Bauru, a prioridade foi instalar as rampas de acesso nas esquinas como forma de solucionar o problema. A variedade dos desníveis entre ruas e as calçadas e ainda interferências existentes quase em todas as esquinas, como bueiros, caixas de inspeção, placas de sinalização, postes de iluminação e variação na largura e na faixa mínima livre criaram dificuldades.
A assessoria informa que nem mesmo as chuvas registradas nos últimos dias conseguiram atrasar o cronograma estabelecido para as obras. Quem passar, por exemplo, pelas ruas Ezequiel Ramos e Agenor Meira já vai notar as novas rampas.
No futuro, as rampas de acesso também deverão fazer parte do cenário urbano dos bairros, já que a maior parte dos cadeirantes em Bauru sofre para conseguir subir e descer as calçadas e arrisca a sua integridade física ao dividir o espaço das ruas com carros, motos e bicicletas.
Hoje é difícil encontrar nos bairros rampas de acesso. As que existem são iniciativa de moradores responsáveis, mas nem sempre estão dentro dos padrões necessários.