Às vezes omitimos o nome de antigos cabos eleitorais por motivos óbvios. Todavia me lembro de um que era extremamente supersticioso. Para seu azar havia um certo gato preto que, ao que parece, vivia nos jardins da Câmara e que, volta e meia, cruzava o nosso caminho. Quando este felino passava em nossa frente, o rapaz se transtornava completamente. Ficava estressado dizendo que precisava ir embora para evitar acontecimentos ruins etc. O Marco Brisola não deve se lembrar, mas uma vez me disse ironicamente que “aquele gato era tão escolado que qualquer dia iria subir a escada e pedir uma questão de ordem para o Adenor”. Uma certa noite, o meu cabo eleitoral começou a evitar a porta dos fundos, além de ter o cuidado de armar-se com uma imagem de São Cristóvão ao pescoço e uma pata de coelho na cintura. Certa vez, após a sessão, encaminhamo-nos para um restaurante, com ele dizendo: - Nada daquele maldito gato preto, doutor. A sessão foi excelente e sinto que este começo de madrugada promete ser muito bom. Mas estava enganado. Bem na porta do Restaurante Lambari do Mendonça, na rua 15, ele escorregou em alguma coisa, chocou o joelho contra a calçada e levou 5 pontos no Pronto-Socorro. Mas mesmo assim continuou a entrar pela porta da frente para evitar o gato preto dos fundos, ao qual ele se referia como o “gato capeta”.
Rui Bertoti