Brasília - A oposição vai recomeçar a coleta de assinaturas para apresentar pedido de criação de CPI mista (com deputados e senadores) para investigar os repasses financeiros do governo para o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST).
Depois da manobra governista que conseguiu impedir a instalação na CPI na semana passada, a oposição pretende apresentar um novo requerimento com o pedido mais amplo de investigações na área rural - já que o regimento do Congresso impede que o conteúdo seja similar. “Nós vamos atrás de novas assinaturas, já que 45 deputados que haviam assinado a primeira CPI se dobraram ao governo e retiraram as assinaturas. Faltaram apenas três para a CPI ser instalada. Vamos novamente buscar assinaturas de deputados e senadores que tenham compromisso com o uso adequado dos recursos públicos”, disse a senadora Kátia Abreu (DEM-TO).
A ação acontece após a veiculação de imagens mostrando integrantes do MST destruindo pés de laranja em uma fazenda no Interior de São Paulo, na divisa dos municípios de Iaras e Lençóis Paulista.
Apenas 168 parlamentares mantiveram o apoio à criação da primeira CPI do MST, três a menos que o mínimo necessário para que a comissão fosse instalada. Dos 210 deputados e senadores que assinaram a criação da CPI, 42 retiraram o seu apoio à comissão apoio. Para ser instalada, a CPI precisaria das assinaturas de, no mínimo, 171 deputados e 27 senadores.
O recuo ocorreu na Câmara, uma vez que, no Senado, os 36 parlamentares que assinaram inicialmente o requerimento da CPI não retiraram o seu apoio.
A oposição vai insistir na CPI mista, e não apenas no Senado, porque reconhece que não terá maioria para eleger o presidente e o relator da comissão.
Nos bastidores, senadores do DEM e PSDB querem evitar que a CPI do MST se transforme numa “cópia” da CPI da Petrobras - que acabou comandada pelo governo, o que reduziu o poder de fogo dos oposicionistas na comissão.
Na CPI mista, DEM e PSDB esperam conseguir emplacar os principais cargos de comando da comissão.
Senadores da oposição criticaram ontem a destruição de pés de laranja em uma fazenda no Interior de São Paulo.
Segundo o movimento, a área é pública, e não particular, e os pés de laranja foram derrubados para dar espaço a plantações de feijão e milho.