O caso Nelsinho Piquet trouxe mais uma vez à tona ‘como agir’ em relação à ética, impunidade, abuso de poder e aceitabilidade pela profissão, emprego, pelo ganha-pão.
Cada um de nós faz um julgamento diante dessa situação: aceitar a ordem do chefe e ficar ‘queimado’ ou dizer não e perder o emprego? Ele foi corajoso e denunciou, ‘abriu o bico’, ‘levantou lebre’, não cedeu à pressão do autoritarismo, da imposição do ‘tesão hierárquico’. Mas quantas pessoas tem coragem de ‘peitar’ uma situação como essa, no dia a dia, no seu trabalho e correr o risco de ficar desempregado por ser honesto, autêntico e sincero?
Eu, em entrevistas de emprego, de empresas importantes em Bauru, já fui reprovado (e nunca sabemos o porquê da reprovação) e achei que foram alguns motivos, inclusive o de falar que não mentiria para não beneficiar a empresa. E 90% das pessoas com quem já trabalhei disseram que mentiriam sim, seja para puxar o saco ou mesmo para manter seu emprego. Não é só na Fórmula 1 que isso acontece com frequência. No circuito automobilístico há punição para os detentores do poder porque a repercussão na mídia é bombástica e um orgão sério como a FIA não teria como se esconder e ‘abafar o caso’. Se bem que já vimos essa história, como no caso Rubinho/Ferrari...
Mas e no seu caso, leitor, no seu trabalho, como agir diante dessas situações? Prefere fingir não estar vendo (omissão também é “crime”) ou ‘soltar ao vento’, denunciar e ficar com a fama de ‘fofoqueiro’ (leia-se verdadeiro), com o radar moral ligado sempre? Será que o ‘efeito Nelsinho Piquet’ trará reflexões e atitudes morais, éticas para os cidadãos brasileiros ou a sensação de impunidade (ética em extinção) já virou uma coisa normal, corriqueira, banal, congressista? Pense, reflita, denuncie e pague o preço da honestidade!
O autor, Gustavo de Carvalho Guedes (Guto Guedes), é poeta, bacharel em Direito, contestador e autêntico f.c