Regional

Diário de Navegação descreve paisagem de Bariri

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

O museu de Bariri (56 quilômetros de Bauru) guarda uma peça rara dentre tantas outras que fazem parte do acervo. Uma cópia do Diário de Bordo do Rio Tietê, um diário de navegação, datado de 1769 que descreve passo a passo toda a paisagem e a situação encontrada por um sargento português que pela primeira vez desceu o Rio Tietê. “O diário foi lançado em 2000 durante as comemorações dos 500 anos do Brasil. O original está arquivado na Universidade de São Paulo (USP)”, comenta o chefe do setor de cultura da cidade, Renato Dias dos Passos.

A relíquia está sendo mostrada aos moradores e visitantes. “Foi a primeira expedição que o governador de São Paulo autorizou a descer o rio e a registrar o que via. O sargento descreve a cachoeira como ela é. Ele não tinha como descer nela e teve que atravessar por terra toda a sua extensão. Já na parte debaixo, ele ficou impressionado com a força da cachoeira, atual hidrelétrica pertencente à concessionária AES Tietê.”

A história de Bariri também faz parte de outras obras, segundo o chefe do setor da cultura. “Tem bons livros que contam a história da cidade. São historiadores que já morreram. Toda a nossa história vem de um livro datado de 1939, intitulado de: “Bariri, um pedaço do céu destacado do arco-íris”. Poucas pessoas viram esse livro, todos os demais historiadores usaram esse livro como subsídio. A obra cita o diário de bordo.”

Documentos, como as primeiras atas das reuniões dos coronéis antes do município se emancipar, também fazem parte do acervo. “Temos todos esses registros. Tem o primeiro registro cartográfico, datado de 1779 que são das primeiras expedições do Rio Tietê. Os documentos citam Bariri como um local ideal para uma futura povoação. O primeiro jornal da cidade datado de 1898. Ele se chamava ‘O Campeão’. Saiu em 11 de setembro.”

A história de Bariri começa com o primeiro ressenciamento federal da cidade em 1835. “Houve uma medição. Os campos foram divididos em 19 quarteirões, de Araraquara até o Rio Tietê. O sítio do Tietê era o nono quarteirão. Só com a emancipação em 1890 que o sítio virou capela, freguesia, vila para depois se tornar município. À época tinha 2.500 moradores, precisava de 4 mil para emancipar e foi dado um ‘jeitinho’.”

O nome Bariri foi ditado pela cachoeira vista pelos índios. “Na língua deles, Bariri significa águas velozes, turbulentas, grandes corredeiras.”

A galeria dos prefeitos é um capítulo à parte na história, diz Passos. “A galeria tem os 40 prefeitos. Alguns estavam sem identidade e foi difícil descobrir. Um deles é do período da 2a Guerra Mundial.”

____________________

Filmes da década de 20

Filmes históricos da década de 20 estão digitalizados. “Eles estavam em fita de rolo de vídeo cassete e foram passadas para DVD. Nas segundas-feiras eles estão sendo mostrados para a população. É o dia que o cinema não funciona e nós ocupamos esse espaço.”

Os filmes mostram as fazendas de café em plena produção. O pessoal trabalhando. Tem fotos da Praça da Matriz, da chegada do primeiro trem (1910), da vinda do governador Adhemar de Barros em 1939, tem o avião dele descendo, uma verdadeira relíquia.”

“Um sonho atribulado” é o título de um filme feito por um cineasta baririense, José Borin. “Ele era um fascinado por imagens e tinha uma câmera. Com um grupo de atores amadores atores ele fez um filme. Tem duração de 20 minutos. Foi todo filmado em Bariri.”

Comentários

Comentários