Internacional

ONU admite que houve ‘fraude generalizada’ em eleição afegã


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Cabul - A Organização das Nações Unidas (ONU) admitiu ontem que o último processo eleitoral do Afeganistão foi permeado por irregularidades. O enviado especial da ONU ao Afeganistão, Kai Eide, disse ter havido “fraude generalizada” nas eleições presidenciais de 20 de agosto no país, embora sem determinar a extensão das irregularidades.

O chefe da missão da ONU no Afeganistão reuniu-se com jornalistas em Cabul e reconheceu que as eleições foram problemáticas. “O alcance desta fraude está sendo analisado agora. Não há forma de saber neste momento que nível de fraude houve. Só posso dizer que foi uma fraude generalizada”, declarou Eide em entrevista coletiva.

Eide afirmou ainda que a eventual apresentação de dados sobre o impacto da fraude no resultado eleitoral seria “pura especulação”. A justificativa é que, nos últimos dias, a Comissão Eleitoral deu início a uma recontagem parcial dos votos devido às denúncias de fraude.

Anunciados em setembro, os resultados provisórios deram ao atual presidente, Hamid Karzai, uma vitória folgada. Contudo, uma nova apuração deve apurar irregularidades em mais de 10% dos colégios eleitorais afegãos.

A missão de observadores da ONU enviada para acompanhar a eleição afegã anunciou no mês passado a identificação de 1,5 milhão de votos “suspeitos”, dos quais 1,1 milhão favoreceriam Karzai. No último dia 30, a ONU demitiu o chefe adjunto de sua missão no Afeganistão, o americano Peter Galbraith, após Eide considerar agressivas algumas declarações do subordinado sobre as acusações de fraude eleitoral no país.

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