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Unesp defende título de agrônomo

Da Redação
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Botucatu - O Ministério da Educação (MEC) fez consulta pública, por meio da Internet, sobre a possibilidade de alteração dos nomes dos cursos de engenharia. Encerrada em 5 de agosto passada, a consulta teve o objetivo de ouvir a sociedade e o meio acadêmico antes de reduzir os atuais 258 nomes dos cursos de graduação para 22 nomenclaturas propostas pelo Ministério, entre eles o de engenheiro agrônomo.

Um grupo de especialistas verificará as propostas e fará as alterações que o MEC entender necessárias. A versão final do trabalho estará disponível neste mês e, a partir de janeiro, as instituições começarão a fazer as mudanças nas nomenclaturas, havendo para isso um período de transição.

Apesar de ter a intenção de contribuir com a avaliação, regulação e supervisão dos cursos de graduação, a proposta de mudança na nomenclatura dos cursos tem gerado apreensão entre vários profissionais, dentre eles os docentes da Faculdade de Ciências Agronômicas da Unesp (FCA), em Botucatu.

Reduzir a quantidade de nomes dos cursos de engenharia é uma boa idéia, segundo o professor da FCA, Ricardo Antonio de Arruda Veiga. Mas ele opina que o MEC errou ao sugerir a mudança do nome do profissional engenheiro agrônomo para simplesmente agrônomo. “O próprio Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Confea) já havia reduzido recentemente os mais de 1.000 títulos da área de abrangência do Conselho para 305. Mas o MEC errou, e com certeza vai reverter isso, quando fala em agrônomo em vez de engenheiro agrônomo. Há muito que não se diplomam agrônomos no país, apenas engenheiros agrônomos”, explica o professor Veiga.

Ele já presidiu o Confea e contabiliza sete mandatos como conselheiro do Conselho Regional de Engenharia Arquitetura e Agronomia de São Paulo (CREA-SP). Atualmente, o professor preside a comissão de ética da Federação das Associações de Engenharia, Arquitetura e Agronomia do Estado de São Paulo.

Também com participação ativa nas entidades de classe, o professor Antônio de Pádua Sousa (ex-conselheiro do Crea-SP, ex-presidente e atual 2º. vice-presidente da Associação de Engenharia de Botucatu) critica com veemência a possibilidade de mudança na nomenclatura da profissão. “Engenheiro agrônomo é a titulação consagrada e adequada pela própria formação profissional, realizada de forma eclética e generalista, tendo em vista o embasamento e as disciplinas profissionalizantes da área de Engenharia, tais como: Desenho, Matemática, Física, Topografia, Aerofotogrametria, Construções Rurais, Armazenamento, Eletrificação Rural, Mecânica e Mecanização Agrícola, Hidráulica, Irrigação e Drenagem, Agrometeorologia, Geoprocessamento e Georeferenciamento, entre outras. A mudança é inoportuna e desnecessária”, avalia.

Existem opiniões discordantes com relação ao nome que o curso deve ter, se Agronomia ou Engenharia Agronômica, mas em relação ao título do profissional formado há consenso. “Com relação ao nome do curso as opiniões estão divididas”, explica o professor Veiga. “Mas a opinião da classe em sua totalidade é no sentido de manter a nomenclatura atual da profissão como engenheiro agrônomo”.

Temática antiga

A discussão sobre o assunto não é nova e provoca temores dos profissionais pela possibilidade de redução das atribuições da área. O decreto-lei nº.9.585, de 15/08/1946, regulamentou a questão ao determinar que as faculdades devem expedir diplomas de “engenheiro agrônomo”, o termo mais adequado para o profissional egresso das faculdades, sejam elas de Agronomia ou Engenharia Agronômica.

“O que qualifica e titula o profissional para que tenha o título de “engenheiro” são as disciplinas da área tecnológica do curso de graduação, devidamente estruturado e legalmente fundamentado, em conformidade com as diretrizes curriculares e com o programa pedagógico de cursos regulares existentes”, explica o professor Pádua. “Considerando a tradição do exercício da profissão em nosso país, uma eventual mudança será num retrocesso, inclusive no que diz respeito ao avanço tecnológico da agricultura”, completa.

Outro receio da classe é que a mudança de nomenclatura permita alterações nas grades curriculares dos cursos de agronomia pelo Brasil afora, com reflexos negativos na formação dos profissionais que chegarão ao mercado de trabalho.

A origem do problema estaria na grande proliferação de cursos de agronomia em várias regiões do país, na maioria das vezes mantidos por instituições privadas que têm dificuldades para encontrar recursos e profissionais capacitados para ministrar aulas nos diversos temas relacionados com a engenharia agronômica.

Além da carga teórica, as atividades práticas voltadas para a engenharia necessitam de equipamentos específicos e áreas adequadas para serem desenvolvidas. Prescindir desse conteúdo diminuiria o custo de instalação e manutenção desses cursos, porém proporcionaria uma formação incompleta e insuficiente para as exigências que o desenvolvimento agrícola do país apresenta, argumentam os técnicos do setor.

Para o professor Ulisses Antuniassi, chefe do Departamento de Engenharia Rural da Faculdade de Ciências Agronômicas e especialista em máquinas agrícolas, este processo gera distorções e deve ser combatido. “A retirada da área de engenharia dos cursos de Agronomia ou Engenharia Agronômica somente interessaria a esta instituições, que assim poderiam manter seus cursos com menores investimentos e cobrando mensalidades mais baixas”, afirma. “Não se discute a necessidade de melhorar o acesso da população de todas as regiões aos cursos de graduação, mas a qualidade do profissional formado nestas condições é extremamente questionável”.

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