Embora a greve dos bancários dê sinais de estar caminhando para o final, os funcionários da Caixa Econômica Federal (CEF) decidiram, ontem, manter a paralisação de suas atividades. Hoje, no entanto, quando o movimento chega ao 21º dia, os trabalhadores se reúnem em assembléia, a partir das 17h, para analisar uma nova proposta da diretoria do banco, que se reuniu com o comando sindical para uma nova rodada de negociações na tarde de ontem, em Brasília (DF). A oferta da CEF, porém, não havia sido divulgada até o fechamento desta edição. Ontem, as agências do Banco do Brasil (BB) funcionaram normalmente.
De acordo com Carlos Alberto Castilho, diretor do Sindicato dos Bancários de Bauru e Região e funcionário da CEF, a informação preliminar era de que a instituição não ofereceria reajuste salarial superior a 6%, principal reivindicação da categoria. “Aparentemente, o banco pretende apresentar uma proposta melhor apenas de participação nos lucros e outros benefícios”, adianta o diretor.
Caso a oferta de aumento nos salários permaneça a mesma, a tendência é que os trabalhadores continuem de braços cruzados. “Nós consideramos este índice miserável e, de antemão, já adianto que não iremos aceitar, de jeito nenhum, a mesma proposta. O nosso foco é aumento de índice salarial”, frisa. A resolução pelo fim ou continuidade do movimento será tomada hoje, a partir das 17h, quando ocorre nova assembléia na sede do sindicato local.
Na última sexta-feira, os trabalhadores do Banco do Brasil decidiram encerrar a greve após aceitarem proposta de 9% de reajuste salarial, entre outros benefícios. De acordo com Marcos Lenharo, também diretor do sindicato da categoria, filiado à Conlutas, a oferta da CEF precisará alcançar porcentagem semelhante para que os funcionários da instituição voltem ao trabalho. “É o que a gente espera, mas teremos que aguardar até amanhã (hoje). Iremos acompanhar a decisão da maioria”, frisa.
Volta ao trabalho
Conforme divulgado pelo JC, após 15 dias de greve, a maioria dos trabalhadores da categoria encerrou o movimento em Bauru - definição que incluiu as agências do HSBC, Itaú, Mercantil, Nossa Caixa, Santander/Real, Safra e Unibanco -, que voltaram a atender o público na última sexta-feira. Bradesco e Banco Rural, que não haviam aderido ao movimento, continuaram a funcionar normalmente, assim como, desde ontem, retornaram às atividades todas as agências do Banco do Brasil.
A proposta apresentada pela Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) e aceita pelos trabalhadores garantiu reajuste salarial de 6% em todos os holerites e Participação nos Lucros e Resultados (PLR) maior que a de 2008. Nas primeiras rodadas de negociação, a Fenaban havia proposto reajuste de 4,5%, que foi rejeitado pelos bancários.
Aos funcionários que já retornaram a seus postos de trabalho, a PLR terá distribuição de 5% a 15% do lucro líquido, através da regra básica nos moldes do ano passado e da mudança da parcela adicional que, em vez de ser apurada com base na variação do crescimento do lucro, passa a ter um valor distribuído linearmente para todos os funcionários.
Os bancários da CEF, por sua vez, permanecem de braços cruzados por tempo indeterminado, já que argumentam, entre outros motivos, que são eles os que acumulam as maiores perdas salariais nos últimos 15 anos. “Nós sofremos perda salarial de 90%. Então, esse índice absurdo de 6% não ajuda em nada na recomposição dos nossos salários congelados”, frisa Castilho.
A mais recente negociação com a CEF ocorreu na quinta-feira passada, mas a diretoria do banco não apresentou nenhuma nova oferta aos funcionários, mantendo, inclusive, a mesma proposta anteriormente apresentada para cláusulas específicas. De acordo com o sindicato, enquanto o banco não atender às reivindicações dos trabalhadores, as agências de Bauru devem permanecer fechadas.