“A cidade dos meus olhos” é o tema da exposição de quadros, desenhos e mosaicos que o artista plástico Júlio Furtado faz na Associação dos Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos de Bauru (Assenag), de amanhã a 30 de outubro, com entrada franca e aberta a toda comunidade.
“A cidade mais do que viva, conversa, brilha, se move colorida, respira em tons amarelos e rubros no entardecer dos meus olhos. Às vezes se tinge de ocres e laranjas, manchando de cores um fim de tarde dentro de algum coração sonhador”, descreve o artista ao comentar a exposição que será aberta amanhã, a partir das 20h30, com uma vernissage e a presença do artista.
Quem visitar o espaço poderá conferir a beleza e a vida do trabalho de Furtado, uma série que revela muita cor e fases diferentes do artista. “O meu trabalho é sempre colorido e vibrante. Não é um trabalho que se adequa em qualquer local, ele se impõe de forma incisiva. O lugar é que deve se adequar a ele”, descreve o artista.
O artista trabalha com tinta acrílica, colagem, mosaico de pedras e revestimento. Atualmente, é professor dos cursos de publicidade e propaganda e arquitetura e urbanismo da Universidade Sagrado Coração (USC).
Telas retratam fases
Nascido em Vera Cruz (SP), Júlio Furtado tem muito forte e herança rural: o sítio, o pomar, o rio, o café com a sua florada branca, melancia, laranja e todas as cores da natureza. Com artista pode ser considerado autodidata, pois desde cedo começou a desenhar e colorir tudo. Dessa origem rural vêm os desenhos de cavalos, borboletas e flores. Mais tarde, em Bauru, pintando cartazes, camisetas e quadros, passou a revelar sua forte ligação com a música e a exprimir nas telas suas experiências como cantor da noite bauruense.
Na década de 90, já como professor nos cursos de Comunicação da FAAP e Senac-SP, sua relação com a pintura se intensificou e a temática urbana, carregada pelas cores do interior rural foram para as telas e a cidade ficou colorida. Nos trabalahos dessa fase, pode-se observar o olhar do estrangeiro para a cidade grande.
“Em São Paulo, morei na avenida São João, a duas quadras do famoso cruzamento da Ipiranga com a avenida São João, imortalizado na poesia de Caetano Veloso na música Sampa. A sacada do meu apartamento era voltada para a avenida Paulista. Todos os dias, eu via aquele ‘mar de prédios’. No final da tarde, ao anoitecer, eu podia assistir a um espetáculo que me marcou muito: o acender das luzes conforme a noite ia chegando”, relata o artista.
Furtado conta que várias vezes convidou amigos para observar esta cena, no final da tarde, tomando uma cerveja. “Esta cena entrou em minha alma e passei a desenhar a estrutura de prédios vista de cima. Nestes últimos anos, essa tem sido a temática mais constante e a maioria dos meus trabalhos traz este visual”, fala o professor.
O artista afirma que, ao longo desses anos, desenvolveu uma linguagem gráfica que tem a sua cara. “Quem conhece o meu trabalho reconhece um quadro meu em qualquer lugar. Para quem não teve formação técnica, esse é um grande achado. Hoje posso dizer que tenho uma linguagem plástica e gráfica que é minha”.
• Serviço
A Assenag fica na rua Dr. Fuas de Matos Sabino, 1-15. Informações: (14) 3224-3206.