Política

Trabalhadores reclamam e horário fica sem consenso

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 2 min

Um ponto inconciliável forma a encruzilhada da antiga discussão sobre o horário do comércio em Bauru: o trabalhador não aceita trabalhar aos domingos e o empresário precisa abrir as lojas em algumas datas anuais para alimentar o comércio regional. Diante disso, as demais questões relacionadas à mudança da lei que define o funcionamento ou não aos domingos sofre prejuízos.

Ontem, durante a audiência pública na Câmara, enquanto os sindicatos patronal e dos empregados tentavam discutir a essência (horário do comércio aos domingos), comerciários permaneciam irriquietos na galeria lotada, com reações, provocações aos que usavam o microfone, apupos e críticas.

Assim, a audiência conseguiu abrir a oportunidade do debate, mas não houve ambiente para evolução dentro do tema e as motivações da discórdia. Para o comerciante, a necessidade de faturar exatamente em datas atrativas para o público regional, como dias das mães, natal e outros, geram necessidade de abertura das portas. Para o empregado, é um dia a mais longe da família e sem descanso e, o pior, sem remuneração adicional.

A partir disso, o encontro de ontem derivou desde a críticas à atuação do sindicato que representa os trabalhadores à intransigência do empresário em continuar defendendo o faturamento aos domingos sem dividir o ganho extra com o colaborador em forma de adicional no salário.

Encerrada a audiência, a proposta inicial apresentada pelo Sindicato dos Empregados é de que a legislação municipal que trata do funcionamento do comércio passe a proibir a abertura das lojas aos domingos e feriados (ao contrário da autorização livre atual), mas com duas situações especiais.

Na primeira, shopings e galerias poderiam abrir de segunda a sábado, das 10 às 22 horas e mesmo aos domingos (mas das 14 às 20 horas), ficando fechadas nos feriados. Já os supermercados teriam liberdade para atendimento ao público das 8 horas às 22 horas de segunda a sábado e das 8 às 13 horas aos domingos (fechadas em feriados).

Pela proposta, qualquer extensão de horário nos domingos (chamado de excepcional) teria de ser negociada em convenção coletiva. Mas, a julgar pelo posicionamento de ontem, os empresários não demonstram interesse nesse formato. O sindicato dos trabalhadores, por sua vez, considera que esta proposta estabeleceria regras mínimas para abertura das lojas, sem engessar a negociação para dias especiais do calendário anual. A atual legislação municipal, de 2000, deixa a possibilidade de abertura aos domingos livre.

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