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Grupo de escoteiro Tiradentes: 33 anos

Juliana Franco
| Tempo de leitura: 5 min

No dia 15 de novembro, o grupo de escoteiro Tiradentes, de Bauru, completa 33 anos de atuação no desenvolvimento e na educação de jovens. Em comemoração ao aniversário, toda comunidade está convidada para participar da festa, no dia 7 do mesmo mês. Entre as atividades do evento estão brincadeiras de escoteiros, o tradicional “Parabéns pra você”, distribuição de bolo e refrigerante, além da cerimônia “Fogo de Conselho” - será feita uma fogueira e os participantes se reunirão em volta para conversar e cantar.

Criado há mais de 100 anos, o escotismo é um movimento mundial, educacional, voluntariado, apartidário e sem fins lucrativos. A proposta é desenvolver o jovem por meio de um sistema de valores que prioriza a honra, baseado na promessa e na lei escoteira, e da prática do trabalho em equipe e da vida ao ar livre. A iniciativa visa fazer com que o jovem assuma seu próprio crescimento, torne-se um exemplo de fraternidade, lealdade, altruísmo, responsabilidade, respeito e disciplina.

“Trabalhamos visando a construção de um mundo melhor, no qual se valorize a realização individual e a participação construtiva em sociedade”, explica Zoraide Donaire Pereira Grassi, membro do grupo há 28 anos. “Atuamos em um sistema educacional diferente das tradicionais escolas. Nossas atividades são sempre ao ar livre, realizadas por voluntários”, acrescenta.

O Grupo de Escoteiro Tiradentes foi criado na cidade em 1976 pelo jovem Jorge Ijuin, na época membro do também grupo de escoteiros Guia Lopes. “Ele se reuniu com um grupo de pais, no Santuário Nossa Senhora de Fátima. Como houve boa aceitação, eles começaram atuar”, conta Zoraide.

Sem sede, o grupo funcionou no pátio do Santuário, depois as reuniões passaram a ocorrer no pátio do antigo prédio da escola estadual Guedes de Azevedo, que não existe mais. Em seguida, a sede provisória foi para a escola estadual Eduardo Velho Filho. Em 1988, a administração municipal emprestou um terreno na quadra 4 da rua Moysés Leme da Silva, no Jardim América, onde permanece.

Atualmente, mais de 70 pessoas fazem parte do grupo, entre elas, 30 crianças de 7 a 11 anos, os chamados lobinhos, 30 adolescentes entre 11 e 15 anos, e dez escoteiros senior e guia, entre 15 e 18 anos. Entre 18 e 21 anos os membros são chamados de pioneiros, e após 21 anos, sem idade limite, são os chefes escotistas.

Desenvolvimento pessoal

Segundo Zoraide, as atividades do movimento buscam o desenvolvimento físico por meio de jogos ao ar livre, exercícios, excursões e acampamentos, o desenvolvimento moral com o propósito de que a geração seja sadia no futuro, para desenvolver a compreensão e dever para com Deus, pátria e próximo, além do desenvolvimento intelectual em que ocorre a preparação para o conhecimento adquirido em cada uma das etapas como cozinhar, campismo, nós, natação e salvamento, primeiros socorros, regras de segurança, orientação, transmissão de sinais, estudo da natureza, entre outros.

Aos 66 anos, Zoraide ingressou no grupo Tiradentes por causa dos três filhos. Eles tiveram que se dedicar à vida profissional - formaram-se como advogados e uma dentista -, mas ela não abandonou o movimento.

O mesmo ocorreu com Maria Lúcia Badin Marques, diretora técnica do grupo Tiradentes. Ela ingressou no movimento em 1993 também por causa dos três filhos. “Eles cresceram e eu acabei ficando. Continuo porque acredito no movimento, vejo o bom trabalho que fazemos na formação dos jovens”, revela. “Além disso, o escoteiro ajudou muito meus filhos. Um deles, hoje, mora em São Paulo e tudo o que aprendeu, como cozinhar, se virar sozinho, foi no movimento. Apesar de ter princípios importantes, faltam voluntários para dar continuidade à iniciativa”, acrescenta Maria Lúcia, que assume outras duas funções no grupo.

A reunião entre os membros ocorre todos os sábados, das 14h30 às 17h30, na sede. A Organização Mundial do Movimento Escoteiro define como princípios do escotismo o dever para com Deus (cresça e vivencie a fé, independente de qual seja), dever para com os outros (participação na sociedade, boa ação, serviço ao próximo) e dever para consigo próprio (crescimento saudável e auto-desenvolvimento).

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Guia Lopes e a tecnologia

Criado em 1963, o grupo escoteiro Guia Lopes é o mais antigo de Bauru. Atualmente, conta com cerca de 130 participantes que se encontram todos os sábados, a partir das 14h, na sede (rua Maceió, 4-5, Vila Cardia). Segundo o presidente do grupo, Cleber Ribeiro Ramos, foi preciso acompanhar o desenvolvimento tecnológico para manter a tradição. “O método escoteiro é o mesmo para todos os grupos. Somos treinados para transmitir os princípios, fazemos cursos para ser escotistas. Até hoje, somos o maior movimento de jovens no mundo. No Brasil, no próximo ano ele completa 100 anos”, explica Cleber. “Durante todo este tempo foi mantida a filosofia de ajudar na formação física, intelectual, espiritual e religiosa dos jovens. Mas para sobreviver à modernidade foi necessário mudar.”

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Apadrinhando Árvores

Baseada no princípio dos escoteiros de cuidar do meio ambiente, Zoraide Donaire Pereira Grassi criou o projeto Apadrinhando Árvores. Implantado no ano 2000, cada uma das árvores plantadas na sede do grupo, desde 1988, ganhou um padrinho. “Quando nos mudamos para o local, existiam apenas três árvores. Então, começamos uma campanha para arborizar o terreno. Hoje, são mais de 62 árvores frutíferas, ornamentais, exóticas”, revela Zoraide. “Dar um padrinho para cada árvore foi o projeto que elaborei para continuar a ser chefe do grupo, já que somos freqüentemente avaliados”, acrescenta.

Há nove anos, o padrinho de cada árvore foi sorteado entre as crianças que faziam parte do grupo. “Cada uma assumiu o compromisso de cuidar, adubar, tirar o matinho, proteger a árvore”, conta. “Agora estou continuando o projeto, já que muitos padrinhos foram embora e outras árvores foram plantadas neste intervalo”, complementa.

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