Economia & Negócios

Programa popular de habitação caminha lentamente em Bauru

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 4 min

Ambicioso, o programa “Minha casa, minha vida”, que tem como objetivo estimular a aquisição de moradias e reduzir drasticamente o déficit habitacional, ainda caminha de forma lenta em Bauru. O objetivo da cidade é atingir 3,5 mil imóveis em dois anos. Mas até agora, foram fechados apenas 190 contratos. A boa notícia é que duas mil negociações estão em análise. A Caixa Econômica Federal (CEF), agente financiador do programa, avalia que a demora nestes primeiros meses é normal e que a iniciativa já ganha um ritmo mais veloz. As regras passaram a valer em abril.

“A adesão está ascendente. Em setembro e neste mês de outubro atingimos um bom ponto. Acredito que os meses anteriores foram de maturação do projeto. Agora, com a adesão de mais construtoras, haverá um impulso maior”, destaca o gerente regional de construção civil da CEF, Olair Ribeiro Filho.

O desempenho abaixo do esperado não é somente em Bauru. O programa também não avança da forma esperado no resto do País. Até a semana passada, 45,8 mil moradias tinham sido vendidas em todo o Brasil. Olair garante que os números baixos alcançados nesses primeiros meses do “Minha casa, minha vida” em Bauru não são desanimadores. “Não é frustrante, porque você vê o programa avançando”, afirma.

Para ele, o projeto ultrapassará a meta dos 3,5 mil imóveis na cidade pela facilidade de adesão e custos baixos. “O programa tira todas as travas existentes num financiamento. O subsídio em Bauru chega a R$ 17 mil”, destaca. O gerente destaca que está prevista a construção de 1,3 mil novas unidades destinadas à população com renda de até três salários mínimos. Essa é a faixa que concentra o maior déficit habitacional na cidade. Mas ainda não há empreendimentos previstos para essa parcela.

Porém, Olair informa que a procura é muito alta entre os interessados que recebem de três a seis salários mínimos. “Na verdade, o perfil de quem tem procurado o programa é muito variado. São casais jovens, solteiros, idosos”, destaca o gerente.

A boa notícia para quem quer aderir ao programa, mas visa um imóvel mais caro é a possibilidade de aumento do limite de valor para Bauru. Atualmente, o programa abrange residências de no máximo R$ 80 mil para a cidade. Porém, Olair afirma que já foi aprovada a proposta de subir o teto para imóveis de R$ 100 mil. “Mas na medida que muda a faixa salarial, haverá aumento nas parcelas. Por isso é recomendável que o interessado já tenha uma poupança”, aconselha.

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Para construtores, ainda faltam ajustes

Renato Parreira, diretor da regional Bauru do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (SindusCon-SP), destaca que o “Minha casa, minha vida”, programa federal de habitação que busca construir 1 milhão de casas nos próximos anos, é esperado há muito tempo. “Um projeto dessa envergadura era muito almejado pela construção civil. E gerou uma expectativa muito grande na população e também entre as construtoras”, diz.

Ele destaca como ponto positivo a postura do processo. “O orçamento foi elaborado de forma muito transparente. É possível saber de onde vem todo o dinheiro investido”, diz. Ele também avaliou como normal a demora para o programa deslanchar na cidade. “O planejamento e efetivação de projetos desse porte levam certo tempo”, avalia.

Mas Parreria também avalia que o programa possui alguns gargalos. Em primeiro lugar ele pontua que, para os empreendimentos destinados a imóveis para população que recebe até 3 salários, o valor da aquisição dos terrenos é alto. Parreira pondera que para baratear o custo final do projeto, o poder público poderia interferir e doar as áreas para as construções.

Ele também informa que a rigidez da CEF no credenciamento de construtoras para participar do programa também é um fator que atrasa o ritmo do “Minha casa, minha vida”. “O banco é muito criterioso e tira um pouco a agilidade” diz. “O programa é audacioso e o Brasil precisa disso. Mas é preciso ter calma e garantir a manutenção desse investimento. Para dar certo, tem que ser perene, não pode ficar a critério de eleições”, avalia.

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Espera

No começo do ano, quando foram abertas as inscrições para os interessados em aderir ao programa, foram preenchidas 20 mil fichas de intenção. Uma delas é a da manicure Firmina Soares da Silva, 61 anos. Ela, que se inscreveu para imóveis destinados a quem ganha até três salários mínimos, ainda não foi chamada para dar continuidade ao processo.

“Fiz o cadastro direto na Caixa (Econômica Federal). Não tenho muito conhecimento sobre o programa, mas sei que as parcelas são mínimas. E para quem ganha pouco, isso é excelente”, destaca. Há 13 anos pagando aluguel, Firmina acredita que conseguirá arcar com as parcelas. “O que pagamos por mês de aluguel já é bem salgado. Com esse valor, pagava as prestações”, destaca.

A manicure mora com um filho e um neto e ainda não perdeu a esperança de ser chamada para discutir a proposta de um financiamento. “Acredito que uma hora sai. Se não der, não deu. Pelo menos eu tentei”, diz.

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