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‘Revelando’ encerra hoje cheio de atrações

Karla Beraldo
| Tempo de leitura: 6 min

Quantos dias, semanas ou meses você gastaria para dar um “giro” por São Paulo e conhecer parte da história e cultura que esse Estado reserva? Em Bauru, isso está sendo possível em algumas horas. Desde quinta-feira, a cidade sedia a segunda edição do “Revelando São Paulo - Entre Rios e Trilhos”, que tem proporcionado aos visitantes um delicioso passeio pelas cores, sabores e cheiros dos mais diversos cantos do Estado. Quem se empolgou com a oportunidade de conhecer um pouco mais sobre a cultura paulista e saborear seus pratos e quitutes típicos, hoje é o último dia para embarcar nesta viagem. A entrada é gratuita.

Ontem, dezenas de pessoas movimentaram o Recinto Mello Moraes, durante todo o dia, nos mais de 90 estandes de artesanato e culinária, de expositores de 70 cidades do Estado. Em sua segunda visita ao local, Sônia Bello estava surpresa com a variedade de atrações trazidas pelo evento. “Vim ontem almoçar, hoje (ontem) comprar algumas coisas e amanhã (hoje) volto, com algumas visitas que estarão em casa, para almoçar de novo”, conta a professora, que também prestigiou o festival no ano passado, realizado no Sambódromo. “Este ano parece que o povo se empolgou mais. Está mais cheio e com muitas coisas diferentes.”

Também encantada, estava Gleice Sobral ao assistir a apresentação de Folia de Reis da Companhia Estrela Dalva, de Araçatuba. Junto da família, a bauruense parou para acompanhar o grupo. “Achei muito interessante e bonito. Nunca tinha vista uma Folia de Reis”, conta. Outra apresentação que também roubou a atenção do público foi a Cavalhada de São Pedro do Catuçaba, de São Luiz do Paraitinga. O grupo, também atração de hoje (confira programação no quadro ao lado), existe há mais de 50 anos e, atualmente, é formado por cerca de 40 pessoas.

“A primeira apresentação de uma Cavalhada em São Luiz data 1849. Hoje, fazemos um trabalho trazendo, principalmente, os jovens para dar continuidade a essa manifestação tão bonita”, comenta Carlos Ferreira, um dos membros da Cavalhada. A tradição evoca torneios medievais e batalhas entre cristãos e mouros. Os principais personagens são cavaleiros vestidos de azul (cristãos) ou vermelho (mouros), armados de lanças e espadas.

Também hoje, quem passar pelo recinto encontrará congadas e moçambiques, a partir da 12h. Durante todo o dia, haverá ainda passeio em carros de boi, trazidos de Brotas. Às 16h, o evento despede-se da imagem peregrina de Nossa Senhora Aparecida, cuja chegada marcou o início do “Revelando”. O festival será encerrado às 18h, com apresentação da Orquestra do Clube da Viola de Bauru.

Idealizador do “Revelando São Paulo” - já em sua 13.ª edição na Capital - Toninho Macedo pensou em um evento que mostrasse a alma do Estado, expressa por meio das suas manifestações mais tradicionais e singelas.

A pluralidade e diversidade da mostra a que se chegou é, para ele, reflexo do espírito aventureiro e desbravador característica do “povo do Estado” desde os primeiros paulistas. “Foram primeiro os caiçaras, seguido dos caipiras, bandeirantes e tropeiros que, ao longo dos séculos, constituíram a cultura, a cara e o perfil do paulista tal como ele é: empreendedor, desbravador”, afirma o diretor cultural da Abaçaí Arte e Cultura (entidade responsável pelo evento) e presidente da Comissão Paulista de Folclore.

Sobre a ocupação de São Paulo, Macedo explica que, depois do litoral com os caiçaras e a conquista da serra onde se começa a estruturar a cultura caipira, é que se dá o início da ocupação do Interior pelos bandeirantes. “De forma especial, nossos rios correm para dentro e foi o Tietê o grande condutor de penetração do homem para o Interior. As pessoas poderão dizer dos bandeirantes uma série de defeitos, mas não poderão negar-lhes esse espírito aventureiro, até hoje presente em nós, de não se conformar com os limites”, considera.

Quanto a repercussão do “Entre Rios e Trilhos” na cidade (Vale do Paraíba e do Ribeira também têm suas edições regionais), cujo nome faz referência à porção do Estado entre os rios Tietê e Paranapanema e à importância da ferrovia na história do Interior, Macedo explica que é um espaço a ser conquistado aos poucos. “A cada ano ele vai se enraizando mais na cidade. Avaliamos os erros e as deficiências da primeira edição, corrigimos e achamos que valia a pena continuar. Está ai a resposta. Com certeza, daqui a dois anos, o evento estará concretizado e solidificado”, avalia.

• Serviço

Último dia do 2.º “Revelando São Paulo - Entre Rios e Trilhos”, no Recinto Mello Moraes, das 9h às 18h. Entrada gratuita.

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Culinária e artesanato: pluralidade

Carregada de tradição histórica, a culinária típica é um dos grandes atrativos do “Revelando São Paulo - Entre Rios e Trilhos”. Servidos como opção de almoço, jantar e lanches, os pratos - assim também como o artesanato - são vendidos a preços acessíveis. “O Estado oferece a estrutura aos participantes. Eles vêm para cá com custo zero”, explica Diego Dionísio, da Abaçaí Arte e Cultura, responsável pelo evento.

Entre os destaques está o arroz vermelho com suã, especialidade do município de Cruzeiro. Feito por “dona” Maria Lúcia Batista, o prato vem do cardápio dos tropeiros, que viajavam pela “Trilha do Ouro”. “Eles comiam porque era uma comida forte, com sustância. E não é colorante no arroz não, ele é vermelho. E cozinhá-lo com o suã é o que dá o sabor”, explica sobre o prato vendido para duas pessoas a R$10,00, com costela, tutu de feijão, farofa de couve e mandioca frita.

Outra opção é a lingüiça cuiabana, trazida de Olímpia. Feito de pequenos pedaços de carne bovina e leite, o alimento se popularizou na cidade a partir da década de 1970 ao ser trazido por um dos membros da família Procópio e Ribeiro. “Na década de 30, um fazendeiro dessa família tinha terras em Cuiabá e aprendeu a receita. Ele morava em Paulo de Faria, onde e em todas as cidades paulistas por onde ele passou, fazia verdadeiros mutirões para produzir a lingüiça”, narra.

Já no estande de Rio Grande da Serra, uma das cidades que integram o ABC, é possível encontrar de tudo feito com cambuci. Da família da goiaba e caju, o cambuci é uma fruta endêmica da Mata Atlântica, encontrada na região serrana e litorânea de São Paulo, e do Rio de Janeiro. “Ela é rica em vitamina C, é anti-oxidante, combate os radicais livres e fortalece o sistema imunológico. Os bandeirantes colocavam, principalmente, na cachaça, e usavam como medicional”, explica Maria Teresa Curvelo.

Além desses, o cafezinho caipira, broa de milho feita no fogão a lenha, galinhada de são longuinho, feijão tropeiro e muitos outros pratos estão entre as opções, sem falar nos doces. Há os feitos de abóbora, batata, de leite, pêssego, além de bolos, paçocas e bombocados. ‘Seo’ João Luciano, de Guararema, não “vencia” socar amendoim no o pilão para fazer paçoca. “Antes fazíamos só para comer em casa, mas acabou crescendo”, afirma.

Também herança de família é a produção de panelas de barro pelo casal Adiméia e Eli da Cruz, de Salto de Pirapora. “Meus avós ficavam fazendo e os netos sempre atentos olhando”, recorda. Já “dona” Ana Julia Penha, de Sarapuí, aprendeu o artesanato observando a natureza. No seu estande, são encontrados arte sacra, utensílios domésticos e decorativos feitos com terra de cupinzeiro. “Observando o cupinzeiro e o João de Barro percebi que aquele barro não desmanchava. Então, comecei a modelar ao modo deles: sem queimar, mas desidratando no sol”, ensina.

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Programação

• 10h – Cavalhada de São Pedro do Catuçaba, de São Luiz do Paraitinga

• 12h – Congadas e Moçambiques

• 16h – Despedida da imagem peregrina de Nossa Senhora Aparecida

• 18h – Orquestra do Clube da Viola de Bauru

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