O principal opositor ao projeto de transposição do rio São Francisco, o bispo da Diocese da Barra (BA), Luiz Flávio Cappio, ficou conhecido nacionalmente depois ao fazer greve de fome de 23 dias em 2007. O presidente Lula esteve terça-feira com uma comitiva de políticos no município baiano onde reside o religioso, localizado no oeste da Bahia a 820 quilômetros de Salvador. Cappio afirma que a transposição foi “imposta” e não beneficiará a população pobre nordestina.
Ele se ausentou da cidade no dia da visita de Lula. O município banhada pelo São Francisco tem um projeto-piloto de revitalização coordenado pelo Exército.
“O governo federal se recusou a conversar com a sociedade brasileira. O empreendimento está usando o Exército brasileiro. É uma obra autoritária”, declarou.
O bispo afirma que o abastecimento de água deveria ser à dessendentação humana (o abastecimento das comunidades) e não aos interesses de latifundiários. A transposição estaria visando a segurança hídrica para os projetos agroindustriais, segundo ele. “É para o uso econômico da água, do qual desvirtua o objetivo. Isso vai beneficiar os grandes grupos produtores do etanol, o biocombustível”, disse Cappio.
Na opinião dele, a água será utilizada pelos grandes consórcios internacionais para a produção de etanol. “O que me indigna é que isso parte de um governo que se diz popular, do povo”.
O bispo diz que o Exército está realizando a obra, mas não respeita cerca das propriedades e nem as comunidades. “O trajeto, onde os canais são abertos, vem sendo desmatado. Na frente das máquinas, vai o carro da polícia para intimidar as populações”. Ele reclama também dos canteiros de obras montados no agreste, que estariam virando pontos de prostituição.
Para o religioso, a revitalização do rio São Francisco é uma “marolinha” e a transposição um “tsunami”. “O Lula veio com todos os políticos para fazer um show de mídia para mostrar para o Brasil e o mundo que a revitalização está sendo feita. Isso é um teatro”, declarou.
Na opinião dele, a transposição não é viável e nem necessidade no Nordeste. Segundo Cappio, a Agência Nacional de Água (ANA) tem todas as alternativas de abastecimentos hídricos das comunidades urbanas do Nordeste. “Esses canais da transposição não visam o abastecimento das comunidades como vem sendo divulgado pela propaganda enganosa”, diz.
O bispo disse ainda que o Eixo Leste teria como finalidade o abastecimento hídrico, mas também está sendo utilizado para grandes projetos industriais.