Café com leite, essa mistura que está presente na maioria das mesas matinais dos lares brasileiros é o tema escolhido para um encontro em Torrinha (90 quilômetros de Bauru) no final deste mês. O 2o Encontro Café com Leite está agendado para os dias 23 e 24 de outubro e pretende discutir a produção e a qualidade do café e do leite da região. Para receber os visitantes, o Centro Hípico de Torrinha vai ser ocupado por exposição e feira de máquinas agrícolas, implementos e insumos para agropecuária, praça de alimentação e unidade móvel de prevenção do câncer, do Hospital Amaral Carvalho de Jaú. Para os produtores, o evento reserva palestras com especialistas no assunto.
A expectativa dos organizadores é receber um número ainda maior de participantes do que na 1a edição do evento. Para o diretor do escritório regional da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (Cati) de Jaú, Otavio de Almeida Prado Bauer, o encontro é uma oportunidade do produtor de café e leite obter informações para melhorar a qualidade de seus produtos e conquistar melhor preço no mercado. “O objetivo é a melhoria na produção, na qualidade. Dirimir as dúvidas dos produtores com relação as novas técnicas, através de palestras técnicas. Além das palestras, há uma interação entre os próprios produtores que contam suas experiências e trocam idéias que deram certo.”
Para a engenheira agrônoma Alda Rodrigues de Almeida, chefe da Casa da Agricultura de Torrinha e integrante da comissão organizadora, a época é propícia para discutir e aperfeiçoar a produção tanto de café como de leite. “Um produtor de café de Torrinha ganhou o primeiro lugar no concurso/2008 de melhor café natural. Uma grande empresa de ramo alimentício, que consome muito leite para produção de seus produtos, deverá abrir uma filial em Araraquara e isso vai mexer com a demanda. Os produtores precisam estar preparados”, diz.
Segundo ela, Torrinha tem 805 pequenas propriedades com predomínio da agricultura familiar. Embora a cafeicultura não seja a principal atividade, já que a cana-de-açúcar tomou muitos espaços, ela ainda tem uma expressão muito grande no aspecto econômico e social. “Torrinha está em uma altitude de 800 a 900 metros em alguns pontos. Essa altitude é favorável para a plantação de café. O café de Torrinha tem conseguido boa classificação nos concursos estaduais.”
A cidade também já foi uma grande bacia leiteira, antes da expansão da cana-de-açúcar, frisa a engenheira agrônoma. “Com a entrada da cana, essa atividade foi diminuindo, mas em muitas propriedades ainda há a infraestrutura que é utilizada para a produção do leite. Tem alguns produtores que estão voltando para atividade. A chegada de uma empresa do ramo de alimentos vai incentivar os produtores de leite, porque com certeza aumentará a procura.”
O diretor regional da Cati, Otavio de Almeida Prado Bauer, diz que a região de Jaú tem tradição em café. No século passado, a abertura do sertão começou com o café. Resgatar essa tradição é uma idéia.